terça-feira, 7 de agosto de 2007
em sua casa. sou um senhor em seu mundo. essa queda ligeira. fale comigo. eu
tenho o vermelho pra nossas roupas. fale comigo a linguagem desesperada e o
delírio. como um sino. e as mãos agressivas que se repetem. eu vou te balançar
como o sino vermelho e como as roupas no varal. eu fico olhando você tomando um
choque e penso que você está seguindo o universo e vem falar comigo essas
sendas que só nós conhecemos. eu sonho o universo te fabricando e você fala
comigo sobre o que vê. e os momentos em que você cheira a garganta doce do
futuro. como um rio dentro do peito. aceso como esse olhar e essa linguagem. eu
te levo pra dançar com o universo e escrevo as canções desta noite. eu apenas sei
que você se move lentamente e não se envergonha e não vai embora. como esse sonho
saindo do que o universo pensa sobre mim. um filme nonsense sobre nós e sobre
como o escuro cobre as coisas sobre mim. e uma chuva. essa chuva que fala comigo
em tua linguagem. olhando os flashes que você projeta. e os pássaros. essas
gotas.
como se fosse agosto e chovesse mas o frio não me fizesse esperar o sol e eu
seguisse por aí. sem procurar as pessoas sem rosto. sem anotar os nomes sobre
nós. sem o guarda-chuva imenso da lógica. sem querer saber nada sobre nós.
deixando esse silêncio para nós. sem pedir um favor e aquecer o coração. como as
coisas que não cabem mais em nós. o último filme que fiz e esse perfume que você
levou embora. e as frutas que eu pintei sobre você sem razão. e o dia foi fumando
o que eu sei. esse silêncio eu guardei na estrada e fiz o pó te cobrir. um pé e
outro. eu num caminho sem a tua imagem e sem a voz. com a medula chorando essas
estrelas grandes como o sol. mas eu não espero nada e talvez por isso eu sangre
enquanto caminho. e às vezes eu posso dormir sobre meus olhos. e eu leio a sombra
e água e o fogo com muito amor. porque isso não diz de nós. isso é. e eu sinto
como se abrisse o estômago e a manhã pra ir me deitar. como se fosse a melhor
coisa a se pensar. um sentimento bonito. um sorriso sem direção. tateando afeto
como uma coisa que permance jovem. uma asa errando pela rua. olhando os que
passam e não tem nome. essa treva do novo como um tóxico. mas isso é a melhor
coisa a se pensar. andar sem as mãos no bolso. observando os passos. e tudo que é
outro enroscando em nossa pele. eu saio e me perco. e isso é como uma rua
estreita. e eu me encosto nos outros. reviro os abismos sem código e isso é o
melhor a se pensar. eu sinto.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
correndo pelado como um
louco ou como uma
bicicleta sem rodas só
girando por aí. rá rá.
correndo pelado pelas
ruas. destruindo as avenidas
como uma bicicleta
sem rodas. rá. correndo
e queimando as ruas. r. r.
r. r. r. r. recitando
a fúria de um deus
qualquer. caindo
como um metal pesado
sobre as costas. rindo
como uma luz
cegando um rosto.
domingo, 5 de agosto de 2007
e dissesse que (nada) tudo (nada) é tão real. mas eu tenho passos lentos e meus
olhos deixo nos bolsos pra ver tuas mãos me tocarem. é fácil cair dentro de um
som. basta cegar os olhos. e sentir cada vértebra se partindo se rompendo como
uma corda. eu cheirei o sol e (não) era real e eu não sabia mais amar. mas trouxe uns
animais comigo. eu ainda estou bem. eu permaneço. como as rochas que continuam
rolando e vão pra longe.
sábado, 4 de agosto de 2007
terça-feira, 31 de julho de 2007
ossos soltos como bocas enormes. um pulo e outro. esse equilíbrio sobre a
navalha. tudo muito rápido como se fosse fogo ou coisa parecida. mas também fosse
água. caindo. e eu mergulhasse. caísse líquido feito o pássaro inconsciente. eu
fico bêdado e minhas vétebras sabem do chão. minhas histórias ficam na pele. e eu
sempre danço rápido e sem camisa. mesmo num grande silêncio. mesmo sobre a cama
ou sobre um trilho. dormindo dentro do espaço. cobrindo a rua com o antebraço
estendido. esperando a aparição. criando os jardins temporários da desordem. mas
uma coisa mansa. coisa densa feito susto. ou medo. coisa rápida como uma mente.
uma festa. ossos. ossos. uma festa rápida como ossos. e como sorrisos debaixo do
sol. gente gente gente. mãos desenhando o delírio. em todas as carnes. entrar e
sair de si. assim. feito mágica. rápida. ou lenta como uma onda violenta. e um
quarto escuro sem o nome no ouvido. sem fresta. uma nesga de luz. eu risco com
minha unha uma canção. uma palavra amarela sobre a pele. nas cicatrizes da
lentidão. como a lentidão do único, do estar-só. cubro com esse ouro pouco. esse
pó dos dentes podres. pra acender o quarto e quebrar algumas colunas. a última
lição: ouvir a reinvenção. se você prestar atenção não se divirtirá. seja um
idiota. não perca tempo com minhas costas nem com minhas mãos nem com o ouro nem
com a cicatriz nem com o líquido nem com a queda nem com nada. só dance assim.
nesse escuro sem nome sem companhia. dance sem olho. assim livre. e sem medo.
como se partisse do alto. como se rodasse desde a origem. como se caísse dentro
da vertigem. como se sangrasse pelo prazer do vermelho e fosse ao chão pelo
prazer das manchas. e habitasse uma falésia pelo prazer do vôo e da aurora. mesmo
dentro do quarto escuro sem nome nem ouro nem pele nem cicatriz. na dança escura
e aberta. a dança primeira. a última lição. dança. onda. dança. líquido. e dança.
bóia no espaço, na vértebra do ar. nesse buraco no oco no ventre nessa barriga da
sala, do escuro quarto. rasga com uma faca essa música e toma um banho dentro. só
isso. correndo na pele. sem caminho definido. como uma mão querendo tomar teu
corpo. uma invasão sem linguagem. com uma mudez doce um afago feito foice
colhendo a manhã. e pondo fogo na plantação. pelo prazer da dança. dos corpos.
nesse escuro do quarto. a última lição sem linguagem. sem linguagem. sem
linguagem. sem ligai aaheuç arar hawrewoh8 gt8 wye aethapwe8yt uht et8y9ty0
apwt78y0apw7tgpa7wegtp 3498yt p4tp ya´tar7aauma asda da asfa dança sem linguagem
asoiypaethpqae i. x. . y. o. u. dança. esse corte na linguagem diz. diz que aosi
haa çu açefawur. como numa guerra. eu ouço as coisas caindo sobre mim. como se
você se derrubasse em mim. ou girasse e caísse. em mim. no escuro. sem dança.
como numa guerra. ou num esconderijo com muito medo mas divertido. como um açúcar
cego. feito formigas comendo o escuro. o abismo de toda pele. as sombras. onde
piso onde aprendo onde ando onde invento onde durmo onde sinto onde saio. essa
geografia, nome novo na boca. eu dentro do território. do breu definitivo do
outro. cortando raízes com os cabelos. e lambendo os poros. e os cheiros.
primitivo. feito dança. e silêncio. e. linguagem. e . e . .e .e e. e. e. e. .e
.e. e. e. .e. e. .e. e. e.. e. .e..e .e..e. .e. .e. e.. e.e..e ..e.
.e.e..e..ee.e.e...e som. ritmo. essa terra de dentro. isso que nos faz. e. ou.
esse sexo mudo. e tudo.
num campo aberto. a grama rente
sob os meus pés e o vento gelado
me levando por aí. meus sapatos
se divertem nessas horas. eu fecho os olhos
pra inventar um percurso. minha queda
é um abraço. o chão tem maneiras suaves
de lidar com quem o ama. eu sinto
que têm pessoas me olhando. é nesse momento
que eu me seguro num pássaro
e acendo meu cigarro. e quando
passo por você eu seguro a tua mão. e a gente
voa por aí. num céu aberto. com o azul
bem rente.
eu não fecho os olhos
quando vôo.
nem os poros.
segunda-feira, 30 de julho de 2007
rosto acordando e a minha mão sobre tua pele. eu te carrego comigo. você parece
uma profecia estranhamente embriagada e eu me cubro de uma fé despretensiosa e de
afeto. eu não crio abismos pra te assustar. canto o teu nome baixinho pra dizer
que sou eu que te afago e falo teu nome. e isso eu não sei dizer sem milagres.
você ri e fica um pouco longe. mas eu sei que você me entende. você segura minha
mão e olha o meu antebraço. somos esse início. a abertura. um rasgão na aurora.
algo bonito e doce como os sons dessa casa. você já sabe meu nome mas ainda não
viu a chuva comigo. então vem e fica perto. vamos amanhecer. adormecer. com a voz
descansando no rosto do outro. nesse quase-silêncio nosso. sem nome. ainda
estranhos mas alegres. e saindo como o sol e o brilho da lua. um caminho que
desenho no antebraço. pra você vir ver de novo. e de novo. como a chuva que
cai agora sobre mim.
segunda-feira, 23 de julho de 2007
escondido. ou escancarado como uma chaga. uma chama. ou esse abismo que somos nós
e que é todo mundo. somos nós nosso mundo. e nos abrimos e mentimos. somos
estranhos e únicos. estamos escondidos. um dentro do outro. debaixo da pele. no
mais azul do osso. e os teus cabelos. engraçados e negros. e sinceros como o
sorriso estranho e azul, dos abismos. sinceros como coisa escrita. como coisa
vivida por acaso e vontade. essa ficção noturna. embriagada. dois corpos são dois
abismos e trezentos desconhecidos no peito. eu estou no teu silêncio e você afaga
meu tempo. estamos aqui. fora desse frio e na aurora do entre, o diálogo, a
fronteira, a conversa, esse entre-deux, entre-dois, isso nosso. e inventado como
nossos nomes e nosso futuro. e essa música baixinha e a manhã. estamos aqui e
depois. expandidos. mergulhados no outro. e no silêncio. e no azul de todo sonho.
em expansão. recriando o mar e nossos nomes. eu me chamo x. qual teu nome?
posso ler tua pele? os sinais, o afeto. esse nosso útero.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
onde vou. sei que meu passado toca a sola
de meus pés mas sigo docemente e acompanho o sol.
você sabe o que isso significa? eu não
me sinto mal. você me pergunta pela trajetória e eu digo
que meus braços são lentos e profundos
como uma alma. a paisagem me corta. o verde
sorri como uma grande criança e me arrasta dentro
dos sonhos. velozmente. os vizinhos se vestiram
para dançar. a colheita irá começar. a moça vem
com um manto e abençoa os frutos. este ano eu serei
um rei. e todos saberão meu nome. isto é um milagre
e minha filha sai do futuro e cai em meu colo. suavemente.
como a chuva. então eu vejo meu povo sorrindo
e se abraçando. essa dança difusa do amor. e as árvores
são lavadas pelas lágrimas e pela felicidade. e quando
meu pai morre. tudo ressuscita. essa é toda a verdade.
em minha aldeia.
domingo, 15 de julho de 2007
descobre meus cabelos e me deixa e pelo sol brilhante que aquece meus passos e
desenha o chão do meu caminho e que me deixa sem fala. eu ando por essa avenida
cheia de gente máquina e foice e respondo as moças no cio que me interrrompem e
me investigam e respondo as deusas que diariamente passeiam com os mendigos e
ficam loucas. eu ando como essa dor que passeia. eu ando como um improviso. um
sem-roteiro que adentra a cidade, nu de olhos.
sexta-feira, 13 de julho de 2007
a mesma porta sem trinco. girando como uma lua
furando nossos olhos. nós não estamos desertos. ficamos
por perto. assim num abraço. meu amor. tudo está certo.
eu eu você e as coisas. tudo certo.
eu danço com você na estrada, meu amor. tudo em volta está escurecendo
longe de nossa dança. somos frutas abertas debaixo do sereno ou uma rama
que se espalha pelos pêlos. um coração pra os dois. nós cabemos
nesse mesmo coração. como o amor. você escuta uma canção
por minha letra. eu escrevi mas não sei tocar. mas
você escuta o que passou e sorri. eu choro sem-fim.
sou um vagabundo sentimental.
eu vou pra longe desenhar teu nome. no chão da minha pele.
com uma brasa. vermelha como o meu coração vagabundo. esse sopro, esse cais
donde eu fico acenando pra tua lembrança. eu passo por teu sono
sem dizer palavra e descanso nos teus olhos e na canção.
e o meu coração vago anda por aí. só pra ficar longe
batendo contra o sol. guardando os passos. e a voz. tudo.
nessa canção. de andar.
eu lembro de ter dito que a loucura é uma grande ferramenta. mas você não
acredita em milagres e não pula. eu era um rei e era o amigo. eu era o amoroso
diamante e a chuva. um caminho expresso. eu andava descalço como se fosse uma
grande criança. eu olhava em teus olhos e podia ver o açúcar de tua alma. eu
podia te cheirar e ir ver o rio. eu refletia o sol e rodava pelas esquinas. era
como se estivesse olhando um oceano. minhas memórias favoritas. as ondas indo e
vindo. a tarde atravessando todos os corpos. um barulho. algo como um mergulho
dentro de um som. ficar coberto por um som. ou como se fosse um imã. algo
divertido. o tempo é uma grande ferramenta. não preciso ter olhos. eu tenho pele.
ando descalço e mergulho. esse jardim, esse pássaro. um vento que sopra mas não
se sabe onde. a vértebra. o desvio. uma queda. a água escorrendo nos troncos das
árvores. estamos nos dias das sábias lavagens. uma época, uma terra. eu caminho
sem medo e estendo os meus braços para as pessoas estranhas. todos olham meus
pés. eu caminho descalço. os sapatos nos bolsos e os diamantes. eu escolho a
vertigem. é como se eu corresse em direção a uma parede. e ficasse tremendo. isso
passa por minha pele. fica por debaixo. uma vertigem. o tempo de vender o que
está por detrás da tarde. as garotas que vão embora. depois de olhar o temporal.
o álcool incerto dessa noite. um diamante e um oceano. navalha. sem os dentes.
sussurrando. a história das pernas. e do caminho. é como se eu fosse uma grande
criança. nesse rio. boiando. ou corrente abaixo. parece que estou numa grande
teia. numa veia. dentro dos organismos. da vida. como numa respiração. me
sinto ligado às coisas. em seu calor. como se andasse com as mãos dadas.
e descalço. como uma chuva dentro de um quarto-escuro. como se eu tivesse as
portas para ir paraqualquerlugar. como uma corrente. descendo. por vertigem.
cobrindo as minhas costas e o meu rosto. lavando o meu caminho. eu dentro do
mundo. do mundo. guardado. em movimento. uma flecha do tempo. abrindo os espaços.
inventando o eterno. o fugaz refazendo o sol a cada manhã. um rio de diamantes
trasbordando. algo sônico. tenho as imagens na camisa. eu vejo os bichos que se
alimentam da distância. eu ando com eles. descalço. existo no dentro. no junto. e
fico me repetindo e dando voltas. pra dizer o que a respiração sugere. esse
vórtice. esse grito. toda palavra que está vibrando. sem-sentido. uma torrente
despejando seus braços sobre mim. eu tenho um jardim de cores. e cheiro tudo
perto do chão. e meu corpo é coberto pela água mansa da desordem. estou junto.
alguém fica esta noite com meu corpo. e eu ando descalço. e durmo no chão. a
grande chuva cai pelos meus antebraços. permaneço. uma fera se torcendo. seu
dorso de bicho dançando. permaneço. como um volt. rindo. animal de silêncio e
corpo. linguagem de água. o barulho primeiro. pintando as paredes de minha mente.
a canção aberta. seu ruído fundamental. um banho. essa voz sem grão. esquisita
como a de nossa infância. e como um sopro em olhos fechados. mas sem cinema. ou
linguagem. só o ruído fundamental. as pernas caminhando. e sumindo no sono. como
se o dia acabasse. e a gente fosse embora.
quinta-feira, 12 de julho de 2007
isso que estou aqui deitado perto de você. eu me esquento. eu cheiro o teu dorso.
um longo território de silêncio. eu tenho bastante tempo. tenho dois pink floyds.
eu comecei e não estou lento. estou só um pouco dormente. mas você me entende. é
por isso que eu estou deitado ao teu lado. você me entende? todocorpoquercontato.
eu quero tudoquesejaútero. é por isso que estou deitado ao teu lado. o calor
intra-uterino. como um grito lento. a mãe caminha suavemente e a minha pele vai
criando memória. os silêncios vão fazendo sentido. eu balanço suavemente, por
dentro. adormecido de vida. não-estou-fora. um dentro como um sonho. sem
linguagem. imagino coisa líquida como um sonho. uma coisa que flui. líquida como
um pensamento. não. menos denso. como um sonho mesmo. algo doce como a palavra
afeto e como um abraço. é justamente isso que é confortador. um abraço. essa
presença. algo doce. como a palavra afeto e teu abraço. essa intimidade. é algo
doce. é por isso que estou deitado ao teu lado. meu corpo e teu corpo. assim. um
abraço. algo doce. entre nós. somos assim: jovens e loucos como uns diamantes que
brilham. nós podemos ver os buracos negros no céu. nós somos jovens e loucos.
você sabe que é proibido crescer e desaprender o riso. é possível falar com as
estrelas quando se está assim: bilhando. como jovens. como loucos. como num
abraço. pois não é no abraço que se inventam estrelas? isto é um segredo. eu choro
para a lua. e eu sou jovem. como o esboço da noite. eu exponho meu rosto. jovem
como um diamante. um louco. eu me acompanho e permaneço por aí. eu me abrigo no
céu e em outras jovens. as. mesmo em silêncio e apartado. ou quando deito ao teu
lado. como num abraço. é por isso que eu deito ao teu lado, entende? é como no
sorriso e na palavra. como uma coisa rara. isso que não se diz nem se entende mas
que parece escrito por debaixo da pele. como a memória que se criou. o caminho
que se fez, por dentro. líquido. e por dentro. é uma coisa rara. sem linguagem.
como nosso abraço. o sorrisso é um abraço de longe. e de perto. e por dentro. ele
é algo doce. como a palavra afeto. como a repetição é doce quando sorrimos. ou
quando giramos. eu tenho bastante tempo. eu posso girar a noite toda. eu tenho
meus olhos e vejo a noite negra. eu uso os ternos feitos por minha irmã. algo
doce e negro como um corvo. ou como uma face. eu guardo meus olhos nos bolsos. e
te desejo boanoite. é por isso que eu saio do teu lado. mas estou contigo. mesmo
indo embora com a mente longe por duas semanas. eu posso te encontrar. e tenho
esquinas parecidas. como se nós fôssemos as pedras que continuam rolando. ou como
se nossos olhos se conhessecem como o instinto da pele, a memória. o útero, o
abraço. nos entendemos, não? como um sorriso e como a pele. como algo doce. e
elétrico. como uma colina com sombras. eu não preciso tomar banho sem as estrelas
nem guardar meus dentes pra noite. eu vejo o céu azul e as plantas criam a minha
mente. eu dobro as coisas e acredito que vejo. e cruzo o céu. cruzo o céu da boca.
é por isso que estou ao teu lado. elétrico. é porque cruzo o céu da tua boca. e
estou deitado ao teu lado. é por esse silêncio. por algo doce. e pelo útero. é
por isso que estou deitado ao teu lado. por teu corpo. é por você. pelo rio e a
memória que foi criada. como um útero. essa sombra. líquida e dormente. como o
tempo que não escorre. ou escorre e flui. é líquido. como uma espinha. como o
dorso. é por isso que estou deitado ao teu lado. é porque sou rio. doce e
elétrico. como um útero. é por você. sou um som. como esse rio que está dentro. o
sangue e o sonho. estão dentro e são líquidos. como o fogo pode ser líquido. é
como um sorrisso. é como sorrir. é por isso que estou deitado ao teu lado e não
choro. tenho sorrisos. é como se eu tivesse um útero. é como se fosse você. é por
isso que você está deitada ao meu lado. eu sou um útero. eu sou um rio. o tempo.
eu escorro, líquido. como um sonho. e também estou dentro. é por isso que você
está deitada ao meu lado. é como dormir. ou um sonho. algo doce. e líquido. um
útero. algo elétrico. o cio. dentro. é por isso que estamos deitados.
assimjuntos. só temos dois lados. elétricos. e doces. e sorrimos e nos abraçamos.
temos o dentro. o sangue. o rio. e o útero. tenho tempo. temos tempo. somos
líquidos. como o rio e o sangue. e elétricos. temos dois pink floyds.
terça-feira, 3 de julho de 2007
terça-feira, 26 de junho de 2007
calmo. e extremo
sei. e você de se encostar em mim e abrir o seu sorriso e não pára de falar contra o sol e
ao telefone. tudo desliza lentamente sobre você e eu. tão lento como nosso tempo. como
nossas mãos. o pensamento que nos atravessa. é calmo. porém extremo. eu vôo. e você se sente
como uma grande montanha e se assusta antes quando eu caio. eu sempre caio primeiro e
procuro ao longe as chamas que me atraíram. eu espero achar alguém esta noite pra procurar
comigo. nem que seja lentamente. como deve ser lento. eu procuro. nós procuramos. o que se
faz? lento. lento lento e já vai longe. e me diz. o sul desse tempo dobrando a esquina e
desamarrando nossos sapatos. eu posso ver seus movimentos. mesmo à noite. e eu ainda sinto o
teu cheiro. esse perfume novo, essa imagem. essa voz já está lenta. como aquelas que a gente
escuta só na mente, com os olhos fechados. você sabe? mas sempre tem uma música de fundo.
calma. lenta. como a chuva. esse tempo. esse breve silêncio. a música fala de nós e de como
a vida é extrema e delicada como a vida acaba em nossos rostos e como nossas canções podem
ser tristes e em como nossos antebraços estão abertos. nós temos o sol. quem caminha conosco
descobre esse perfume esse horizonte essa fresta esse rio dormente essa gente adormecida
como a noite. tudo é silêncio e esse sopro é só o som sem voz. o grão do sentido. o mínimo.
nossa menor comunicação. esses agudos. esse doce agudo e esses graves. principalmente esses
graves. toda a nossa boca. e as noites. noites. diavirá. tenho uma teoria sobre a chegada do
dia. sobre a aurora, sobre as ruas, sobre as luzes, as cores, os cheiros. eu acredito. eu
acredito em teorias que invento. eu peço o que me agrada mas eu também estou lá. eu vejo a
segunda face. esse quadro eu não interrompo com os olhos. como permanece. aceso e detrás da
coluna de fogo. é como aquilo que se esconde entre um sonho e outro. fica entre o fogo e o vôo.
como uma semente em sua vida interior. como a segunda face. eu desejo a segunda graça. como
se eu fosse voar por sobre toda gente que conhece e como se eu não parasse na dor. você
acredita? e vem? eu tomo um drink com você. a gente toca fogo nessa noite. eu posso te ver
em casa. dessa vez. como um fogo que refaz a noite. como um bar sonoro. é dentro de teu
corpo que eu durmo. essa estrada. o zen contra a chuva. eu amo as coisas. as coisas não
permanecem. e ninguém vê. eu ouço meus sorrisos pois não estou perto. as coisas boas são
como uma grande fábula. essa história. a história desta noite. mas eu não sei dançar. Você me
leva onde quer assim, eu sei. sei disso. finjo também. eu continuo com os meus pés suspensos.
isso você não vê mas eu posso contar num dia de domingo. eu descubro algumas flores em tua
pele e escuto esse poema escrito em teu corpo. teus cabelos são os sonhos desta noite. são
negros. e dançam. eles caem. dançam entre os meus dedos. acima das horas, como se fossem
suicidas ou pássaros. eles caminham sobre os sorrisos que te distribuo. as coisas falam de
mim e eu me comovo. você está linda está noite. vamos cantar uma canção? me acompanha. eu
também vou escrever a letra. me acompanha. essa esquina o século a rebelião e os processos
do tempo o vento que não se move as nove noites da praia e os ônibus que descem leves pelo
céu. é disso que eu falo. em silêncio. mas eu imagino que você percebe. as minhas mãos são
um oceano de segredos e linguagens. você no céu do norte. eu tenho um longo tempo longe dos
teus passos. eu não caminho para o azul. mas sou como uma onda que se arrebenta contra os
muros das vanguardas. essa liberdade eu carrego como um raio na boca e outro nos olhos. você
deve ter visto e se aproximado. você parece com esse inverno. ou como o cinza aceso das
emoções. é preciso estar perto. como uma fênix. ou se espalhando pelo chão desse céu do
norte. eu caminho. nunca estou perto o suficiente. mas a véspera é sempre alegre. eu sempre
estou. eu me demoro. eu crio o som dessa passagem. essa vértebra. escuta. esquece os olhos. o
cheiro. escuta. na derme, escuta. viu? essa memória da pele acende. basta encostar. é como o
acaso. basta ter os antebraços abertos, os braços abertos. é como um afago. como um útero. já
imaginou uma coisa como o útero? eu queria dormir com você esta noite. eu escrevo histórias
com os nomes que estão perto de mim. o teu. o teu tem histórias. você tem idéia? não. não sabe.
mas dia desses tu lê. pode ter sido agora. o que tu acha? seria legal se tu soubesse o nome da
música. diz. só tem uma resposta. diz. então? isso. é tempo de estar junto de mim. me arrodear
com seus olhos, dobrar meus sonhos e cubri-los com a minha mente. é tempo de estar comigo,
correndo pela noite. como num dia de chuva ou numa floresta imaginada. como as ondas
curtas. como podem ser? é tempo de voar livre e nu. é, já disse. tempo de estar comigo. você
consegue me entender. eu não sei falar de outra forma. eu só mudo os tons. e eu gosto de verde.
e de gaita. ah, claro, eu gosto de te ver. e também de escrever e mudar os tons. de sentar ao teu
lado e mudar os tons, as peles, os tempos. é como revirar a terra. como cavar o dia e levantar
uma árvore com os dedos. é tempo de estar junto de mim. recolhe em meus olhos teu cansaço e
teu medo. derruba teu corpo contra meus braços. é tempo de estar comigo. você escuta essa
canção e fuma comigo. estamos nesse mesmo oceano. eu te abraço. é tempo. umbeijo. começa
outra música. eu deixo os teu olhos me dizerem uma teoria para o dia de ontem. e outra sobre os
dias que seguem. mesmo aqueles de chuva. os dias sem-tempo-certo. me conta sobre os teus
ossos. e sobre tua infância. e sobre todas as vezes em que você percebeu que era você. assim.
como? o eu. o teu. isso. esse outro de mim. esse tu. conta. é bonito de se ouvir a tempestade
cobrindo os lírios. correm e dançam como se festejassem o dia do rei ou a grande colheita. como
um deus numa ilha. só. partindo de um lado ao outro da liberdade. sem vigias. o sumiço do outro.
o silêncio que é pra mim. a noite vem vindo como se o dia se fosse. eu vejo o fogo crescendo sobre
os montes. eu me vou. num giro. ou no rio. e você, vê o dia indo embora? eu vou caminhar por aí.
você vem? me acompanha. segue a música. é como um pássaro surfar. é simples. você pode até
ver. eu não duvido. é rara. é simples me seguir. eu sempre estou aqui. e caminho por lá. você
vem.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
sábado, 23 de junho de 2007
ai tupi or not. eu sou um garoto. até amanhã. quero gritos, o sexo esquisito contra a fé no amanhã. eu não me espero até amanhã. o que faço, como volta, o que faço, como volta. o garoto gordo me espera do outro lado com seus dentes abertos, loucos, seus dentes, sua raiva. as pernas falam, passam sobre o tempo. ou dançam. as pernas dançam. um terror. as pernas dançam. mas eu grito. eu grito. acredito nos ossos. só sei que os olhos sabem do que se esconde. se estiver sozinho eu não falo nomes. o a. o aaaa. o aa aa aaa a a. eu preciso de mais tempo. você se recompõe com os seus amigos. é possuído que vou loonge. se escurece eu quero tudo. a garganta. o túmulo. a queda. o escárnio. o que foge. o que brilha. o que diz que eu não passo. que eu não prendo. que eu não prenso as coisas. que se fazem contra o tédio. eu não sei do tédio. tudo gira. tudo gira. quando as palavras serão ossos. pergunta. é preciso criarmos o dissenso. serei uma maça podre. a margem. podemos mudar de assunto? a pergunta. o sinal. o sinal que fala da pergunta. esse silêncio. exatamente. o que se faz com o ódio. o que se faz. eu me perco. os dedos. o que escapa. aperto esc. esc. esc. esc. correr é uma coisa de não se desaprender. o que se faz, corre. eu sei. o susto que tomo eu tomo. o que escapa. como um assassino. o que se diz das palavras. o que as palavras. se me seguem como um ramo. como o sol. como os olhos. se movem com o que se quebra. eu preciso de rochas. como o que se quebra e desfaz. virá. contra a palavra. o que parte. o que é um sim. é tudo muito real. eu não aprendo a só perceber. se encolher num vôo é quase voltar pra parar. o salto. o susto. o sussuro. é como brincamos de rir. e ficar louco. ficar louco é tão absurdo. absurdo e comum. o que faz sorrir quando escrevo. o que não escrevo e fica só até onde vou sorrir. fica comigo. esta noite ela fica comigo. a palavra. a segurança da boca contra o abismo de existir. fora. no espaço no e s s s pa aaaa a a ço. o que voa. fora. dentro do longe. habitar o longe. o que se esconde no horizonte da boca. digo sim. falo das coisas que se vê no céu. tudo é real. às vezes até o meu pensamento. como um grande sim. destava. eu páro. posso por abaixo tudo que digo. o que sobra. o que fica na senda, o que o incêndio fabrica. segue. o que é caminho. eu tenho medo das ruas. não tenho medo das ruas. eu tenho medo das ruas como eu não tenho medo das ruas. a dor. o que penetra. fere. faz. fica. fixa. foice. vértice. desenho. mão. tudo a mão alcança. tudo que não pensa. isso é muito feio. isso aí. isso. você já saiu com isso. eu corro. eu corro. eu invento e toco fogo. eu destruo contra meus braços. eu distraio o tempo. invento sombra e pernas. você vê tudo que está atrás de você. geração. não tenho geração. eu estou só. e é tempo de estar só. eu me mexo. deslizo e caio no ar. passo as férias. dentro. mergulho. sou todo política. investigo. como um trilho. eu gosto de você como um trilho que sempre está lá. eu vou passar por aí. pisarei por aí. neles. neles. neles. eu durmo depois de você e sei do que fala. o sono. essa guitarra líquida. essa vértebra. o que como. que costuma cair. criar. cia. o cio. o ócio e a revolução. o que a boca alcança. só acredito em revoluções que alcanço com a boca. estou quente. e nas ruas. estou quente e não descanso nas sombras. passo férias na coluna. me dispenso. o poente. o presente é só um passo. um além de si. algo assim. o que cresce. o presente é o caroço. o grão. o que cai. a a queda. do alto. e rápido. como se o rio descesse sobre tuas colunas e não te despedassassem mas só te levassem por aí. uma viagem. o que se diz pra domingo. eu corro pela cidade pra comprar flores. eu não compro flores à tarde. a noite tem coxas e a pele está lisa como o céu. esse azul. azul estúpido. sem direção. um azul sem direção. é exatamente isso que não gosto. um azul sem direção.
domingo, 20 de maio de 2007
e perco horas com o silêncio.
e penso que sonhar é pouco.
como estender as asas para ir se deitar no horizonte?
acho que esqueci o rosto de minha infância.
(as fotografias espalhadas sobre a mesa não falam de mim
suas luzes acusam outro universo
imagino que se trate de antimatéria)
as longas noites como abismo passam se não pouso os pés.
(que disse? me reviro sobre a cama e mergulho no outro de mim)
vou deixar as palavras entre os lírios para que o sol as alimente
dentro da alma que irei inventar agora.
Bum!
não me esperem (eu digo isso pra mim).
--- correr, correr, correr
vai, menino!
é preciso perder o medo do acaso
do sorriso e da garganta do futuro
(entro em espelhos, meus olhos se tingem de segredos
comungados por sussurros. desejo que me escutem)
pular para (...)
# estar-no-mundo
Benção para um Lêmure
que tu acenda o verde de todos o séculos
que a tua cabeça tenha ninho de coração
que tu aprenda e desaprenda por prazer infantil
que tu vá e volte
que tu seja
que tu alimente um pássaro perdido
que tu alimente um pássaro achado
que tu fale com crianças se levantando até elas
que os velhinhos continuem sendo brilhos nos teus olhos
que buda seja uma flor em tuas mãos
que tu invente o dia
que a lembrança de tudo seja boa
que o sorriso seja um doce, um brigadeiro
que a palavra acerte e erre
que a noite também seja tua amiga
que tu não olhe o horizonte com indiferença
que tu saiba das plantas, ainda mais
que tu sinta das plantas, ainda mais
que tu seja junto com os outros animais (inclusive comigo)
que tu não adiante o tempo - só o entorte vez por outra
que tu ouça o rio da felicidade - mas saiba mergulhar e não morrer afogado
que tu permaneça voando por todo tempo
que tu acompanhe a partida das velas
que tu pise nas nuvens e dance em cima dos muros
que tu se reinvente, sempre
que tu esteja em paz
que tuas mãos sejam ágeis para amar e tardas pra odiar
que tu não dê a outra face, mas saiba dar uma gargalhada
que tu acolha o pequeno príncipe no teu coração
que nas tuas costas nenhum deus se atrapalhe (nelas só o vento)
que tu dê as mãos a muitos deuses e a muitos humanos
que tu aprenda com estranhos sobre a possibilidade e sobre o acaso
que tu tome sorvete só por que é frio e engraçado
que até chegue a encostar o sorvete na testa
que pedro seja mais velho que tu
que tu vire água
que tu seja um lago, à tarde e pela manhã, uma cachoeira
que seja tudo - até o brega
que tu perca o medo do brega e do trivial
que tu se suje de cotidiano - mas cotidiano sublime
que tu enxergue a ponte que liga os seres humanos
que tu me perdoe
que tu esteja lá
que tu não olhe o sol com tanto raiva ou tanta coragem
que coloque as asas de cera
que tu tire as asas de cera
que tu escreva e não escreva
que tu vá
que tu se enrole de futuro - mas viva pra agora
que tu se despeça dos relógios
que tu se atrase
que tu saiba dormir e saiba acordar
que tu goste de beber água
que tu goste
que tu aprenda a fazer comidas boas
que tu ressuscite o afeto de todos
que tu seja tu
e que, repito, tu vá
aí seremos abençoados
pela noite e pelo dia
por todos os pares
por todas as faces
que tu caminhe sem pressa, mas sem demora
e que tu carregue papel e caneta - pra me explicar o mundo,
por teus olhos, por teu cinema
e que tu adormeça na vida e acorde na vida
e que tu OM
OM
OM
OM
(...)
domingo, 22 de abril de 2007
Segundo a crença mais comum, divulgada pelo livro lunar, os seibás eram crianças que caíram do céu, provocando histeria nas pernas dos deuses mais espantados. A queda fez com que suas palavras ganhassem um doce vento azul, o mesmo do estômago da origem. Desde então, fala-se que os seibás desinventam a memória que o sol cria no corpo. Usam profecias de acordo os espíritos de ontem, mas olham para o futuro como se o próprio-fosse quando. Para as mentes sem delírio, os seibás eram apenas visões rarefeitas na parede do século ou flores que as mãos não sabem desenhar. Raramente se atinge um consenso sobre os registros deixados pelas coletividades seibás. Os animais se esforçam por. Os seibás caminham no rio, diz o Cristo. À sombra constroem, diz o Buda. Krishna geralmente fica em silêncio rindo ou dançando na lua. Do canto da cabeça, os seibás.
domingo, 4 de março de 2007
Caminho com os pés suspensos e sem controle. Às vezes eu desmaio nos trópicos e quero ver a pele mansa da desordem. Estou certo em fugir pelo rio e eu quero as flores de tua consciência, mas eu sei do riso do céu agora e deus não tem pedras nos bolsos. Bebo água e ouço o rádio. Eu durmo com o desenho de um fio que percorre minha cabeça. Você sabe fingir. O orgasmo dos olhos se revirando entre as janelas me aponta a saída do sol e o quarto das horas fica lotado com teu adeus. Nunca sairei dessa cena, ficarei me movendo como uma mão sobre a navalha.
Cometas atravessam meu cérebro e as horas me consomem como o fogo de tua pele. Uma multidão destrói meu jardim e eu invento um raio para me refugiar. A tua canção faz sombra e meus ombros te carregam por aí. A lua morta é uma pele sobre o oceano e você me entende. Eu escrevo sobre pássaros e mulheres e o tumulto me desperta com uma bebida velha. O tempo fica preso no olho do cachorro que atravessa a rua sem medo. Essa calma me atinge e tua boca revira meus ossos. Eu não esqueço a voz das esquinas e os sapatos sabem que são insignificantes.
eu quero o verde de todos séculos.
tragam rosa
colher na boca e outros poemas
o silêncio dos minerais azuis
e o abraço cego
do poeta aproximado
acendam um lampião
e risquem a minha cabeça
no chão da linguagem iluminada
bebam o vinho sangue
essa palavra doce
que escorre cedo
pela foice da lembrança
durmam longe da noite
na véspera do abismo
eu ficarei
no incêndio
sábado, 24 de fevereiro de 2007
sábado, 3 de fevereiro de 2007

!vai dormir vagabundo!
# e entre um copo e outro de vinho ficava me girando pra saber mais.e caminhando um pouco além
nas explosões daquele vagalume-que-circula-nas-mãos redesenhava os lugares da cabeça. sabe aquela risada? não me controlava, era impossível: o perder-a-vista na praia, o vento no rosto e um assombro de idéias rápidas na mente. um dia desses ainda mergulho e fico num universo singular, paralelo a tudo, inclusive a mim. de triste só não ter força pra escrever quando me vem esse espírito-matéria. de esperança usar essa orgia-transcendente-imanente esse fruto-da-terra-dos-não-deuses como vetor pra minhas fogueiras. essa imensa gargalhada vai dando lugar a um sorriso lento (fosse assim perene). e dentro de mim, ainda o incêndio de avatares e coisas comuns a dança surreal de engolir a noite, apagando as palavras. diabo de não resistir ao silêncio e ao descanso mítico que esse pássaro me proporciona! desço ao sono, me entregando aos braços de dioniso e às pernas de gaia. me recolho ao útero-de-sempre, pra nascer pela manhã pronto pra sonhar de novo, sem o rosto sério e o relógio adiantado do des-trabalho mundano. assim vou, dormindo pra levar a vida: um leve rio de mim.