música, tarô e mímica. BATUQUE
na constelação. OSSOS quebrados,
crânios transbordando as águas
do batismo: boletim visionário
lavando com sangue a escuridão.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
pirro
não fazer coro
ao riso e ao choro.
deitado no barco:
observar a careta
da anta, qualquer
semblante: feito
por nuvens,
um desenho.
uma tempestade
agita o mar:
paz no corpo
& na alma:
o porco
tem calma.
ao riso e ao choro.
deitado no barco:
observar a careta
da anta, qualquer
semblante: feito
por nuvens,
um desenho.
uma tempestade
agita o mar:
paz no corpo
& na alma:
o porco
tem calma.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
satwa
tudo respira, a pilha
rayovac, lanternas
e automóveis
de pedra.
apesar do terror,
a lua sopra
as marés.
animais insistem:
movimento do vento
irrigando almas
sobre o asfalto.
a fogueira ainda fala.
rayovac, lanternas
e automóveis
de pedra.
apesar do terror,
a lua sopra
as marés.
animais insistem:
movimento do vento
irrigando almas
sobre o asfalto.
a fogueira ainda fala.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
domingo no parque industrial
temos lanches telefônicos,
urnas funerárias eletrônicas.
os soldadinhos de chumbo
lambem brilhantes botas de couro
e odeiam bailarinas e odeiam bailarinas.
urnas funerárias eletrônicas.
os soldadinhos de chumbo
lambem brilhantes botas de couro
e odeiam bailarinas e odeiam bailarinas.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
satori da pesada
depois do êxtase, o detetive
axel foley lava a roupa suja.
uma gargalhada, tudo está
como está: poeira e água.
música quente embalando
o coração do malandro
que varre o pátio.
axel foley lava a roupa suja.
uma gargalhada, tudo está
como está: poeira e água.
música quente embalando
o coração do malandro
que varre o pátio.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
paisagem com fantasmas e laranjas
talvez jamaica, espírito confortável
do coelho gordo chupando mangas.
ska soprando no radinho de pilha
esquecido sobre o balanço da árvore.
pablo e sua escaleta, deusas
descansando na sombra generosa.
fumaça dos dias refrescantes, água
das palavras delicadas e gentis.
do coelho gordo chupando mangas.
ska soprando no radinho de pilha
esquecido sobre o balanço da árvore.
pablo e sua escaleta, deusas
descansando na sombra generosa.
fumaça dos dias refrescantes, água
das palavras delicadas e gentis.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
bilhete para leopoldo
dos favores que prometi,
te devo a loucura.
bêbado de vida
e não de morte,
um pássaro.
nunca sabemos
o que diz o céu.
há vinho suficiente
nos lábios da mulher que ri.
te devo a loucura.
bêbado de vida
e não de morte,
um pássaro.
nunca sabemos
o que diz o céu.
há vinho suficiente
nos lábios da mulher que ri.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
sábado, 18 de janeiro de 2014
sábado, 21 de dezembro de 2013
linha escura no espectro solar
relembrando o futuro, nove
garçons comentam sobre
os cães latindo & o anjo
da morte rondando a cidade.
vermes, vírus, vassouras
passeando na cabeça
dos advogados batedores
de prego e suas pragas.
máquina do fluxo, luxo
do corpo em obras, dobras
do coração sideral roncando
entre os motores e as macas.
garçons comentam sobre
os cães latindo & o anjo
da morte rondando a cidade.
vermes, vírus, vassouras
passeando na cabeça
dos advogados batedores
de prego e suas pragas.
máquina do fluxo, luxo
do corpo em obras, dobras
do coração sideral roncando
entre os motores e as macas.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
domingo, 8 de dezembro de 2013
o tempo também
tem joelhos
doloridos.
telhados verdes
onde deitamos
para compreender
o silêncio da lua.
televisões eternamente
fora do ar, mulheres & ilhas
de perfumes brutais.
espíritos molhados
na saliva das jovens deusas.
curvas e mistérios, tempestades
de sons que invadem a caixa preta
do crânio & seus sonhos mais secretos.
tem joelhos
doloridos.
telhados verdes
onde deitamos
para compreender
o silêncio da lua.
televisões eternamente
fora do ar, mulheres & ilhas
de perfumes brutais.
espíritos molhados
na saliva das jovens deusas.
curvas e mistérios, tempestades
de sons que invadem a caixa preta
do crânio & seus sonhos mais secretos.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
papeando com pasolini
descanso todo dia
e à noite perambulo
como um bacurau
catando insetos.
uma sugestão:
santificada seja
a escuridão.
respondo aos olhos
estranhos tranquilamente.
contemplo minha abolição
com a coragem sutil de um sábio.
aparência de raiva, estes são versos
de atenção amorosa e paciente.
jovens e velhos autoritários
são formas da tristeza mais cruel.
outra vez como um pássaro:
tudo vejo, voando.
mente serena, levo no coração
a consciência que amanhece.
e à noite perambulo
como um bacurau
catando insetos.
uma sugestão:
santificada seja
a escuridão.
respondo aos olhos
estranhos tranquilamente.
contemplo minha abolição
com a coragem sutil de um sábio.
aparência de raiva, estes são versos
de atenção amorosa e paciente.
jovens e velhos autoritários
são formas da tristeza mais cruel.
outra vez como um pássaro:
tudo vejo, voando.
mente serena, levo no coração
a consciência que amanhece.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
domingo, 24 de novembro de 2013
sábado, 23 de novembro de 2013
teatro da música eterna, ouçam
o trabalho das fricções, a cidade
evaporando lamentos e sonhos,
assobios e assobios e assobios.
carcaça e cárcere, cachaça e sol
costurando doidices de pedra
na boca dos macacos.
ruminações, ramas
verdes, apesar.
dança rodopiante,
voz da galáxia
mais distante
do umbigo.
o trabalho das fricções, a cidade
evaporando lamentos e sonhos,
assobios e assobios e assobios.
carcaça e cárcere, cachaça e sol
costurando doidices de pedra
na boca dos macacos.
ruminações, ramas
verdes, apesar.
dança rodopiante,
voz da galáxia
mais distante
do umbigo.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
sábado, 5 de outubro de 2013
apropriação do relato do pato, da morte e da tulipa
não haverá lago, não haverá ego. subiremos
numa árvore e não desceremos logo.
entre os galhos, entre as folhas ficaremos
e então, iremos para as raízes, decompostos
e recompostos.
luz do sol, energia da lua:
sobre nossa carcaça surgirá
a alma de um dervixe que gira
e antecipa o vermelho da tulipa.
assim é a vida, pensou a morte.
numa árvore e não desceremos logo.
entre os galhos, entre as folhas ficaremos
e então, iremos para as raízes, decompostos
e recompostos.
luz do sol, energia da lua:
sobre nossa carcaça surgirá
a alma de um dervixe que gira
e antecipa o vermelho da tulipa.
assim é a vida, pensou a morte.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
árvores viajam nas profundezas,
raízes sondando os sonhos
da terra, paz aquática
nutrida nas delicadezas.
árvores viajam lentamente
na barriga dos pássaros,
passos firmes no céu imenso,
incenso povoando a mente.
árvores viajam no sangue,
nos guinchos dos saguis,
árvores me começam
e abraçam minhas filhas.
raízes sondando os sonhos
da terra, paz aquática
nutrida nas delicadezas.
árvores viajam lentamente
na barriga dos pássaros,
passos firmes no céu imenso,
incenso povoando a mente.
árvores viajam no sangue,
nos guinchos dos saguis,
árvores me começam
e abraçam minhas filhas.
sábado, 14 de setembro de 2013
com amor amansar
um pedaço de mundo
e nele se instalar.
inundar de sonhos a vida
numa defesa contra a morte
antes da morte, cotidiana.
sorte do louco, sorte:
ouvir muitas águas
correndo, correndo.
cultivo erótico da jornada
rumo ao umbigo do sagrado.
poesia, eco do afeto:
flutuação dos leopardos
atentos às perdas das pérolas.
experiência contínua, garota
nua comendo amoras, amores
salivando sobre as auroras.
um pedaço de mundo
e nele se instalar.
inundar de sonhos a vida
numa defesa contra a morte
antes da morte, cotidiana.
sorte do louco, sorte:
ouvir muitas águas
correndo, correndo.
cultivo erótico da jornada
rumo ao umbigo do sagrado.
poesia, eco do afeto:
flutuação dos leopardos
atentos às perdas das pérolas.
experiência contínua, garota
nua comendo amoras, amores
salivando sobre as auroras.
uma livre adaptação de trecho de black elk (1863 - 1950)
deixe-me ouvir
as lições escondidas
em cada folha e rocha.
eu busco forças
não para ser maior
que meu irmão e irmã
mas para lutar
contra meu maior
inimigo, eu mesmo.
as lições escondidas
em cada folha e rocha.
eu busco forças
não para ser maior
que meu irmão e irmã
mas para lutar
contra meu maior
inimigo, eu mesmo.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
estudo dos modos de nutrição dos delírios
inspira e respira, maninha,
andando para lá e para cá.
oxigênio e movimento
são levitações.
equilibra a fome de afago
sem apego, exercita o amor
entre as devastações do incêndio
e as águas calmas que excitam as almas.
grita nos ritos das grutas e das ruas,
rodando no samba das sombras.
maninha, tira cochilos na morada divina
e, ao acordar, não acompanhe a caravana
de pessoas tristes, mas cante e ame.
conseguir é seguir, maninha, com raízes
e sonhos na terra entre ervas daninhas:
a felicidade possível é uma benção,
invenção para muitas noites e dias.
delírios são flores, maninha,
no útero azul do futuro.
nossa respiração
salta o muro.
andando para lá e para cá.
oxigênio e movimento
são levitações.
equilibra a fome de afago
sem apego, exercita o amor
entre as devastações do incêndio
e as águas calmas que excitam as almas.
grita nos ritos das grutas e das ruas,
rodando no samba das sombras.
maninha, tira cochilos na morada divina
e, ao acordar, não acompanhe a caravana
de pessoas tristes, mas cante e ame.
conseguir é seguir, maninha, com raízes
e sonhos na terra entre ervas daninhas:
a felicidade possível é uma benção,
invenção para muitas noites e dias.
delírios são flores, maninha,
no útero azul do futuro.
nossa respiração
salta o muro.
menor ideia sobre a dinâmica
da escritura do vento nos ouvidos
e espalhando meus cabelos
menor ideia sobre a distribuição
das plantas e estrelas ao redor
das fogueiras nas praias
menor ideia sobre a noite longa
que se estende nas quedas
dos anjos e das cachoeiras
menor ideia sobre a vertigem
do ego devorando as pernas
das aparições carinhosas
menor ideia sobre a gestação
dos diamantes na língua
perdida do amor
menor ideia sobre a geladeira
que acolhe as lembranças
das cidades solares
menor ideia sobre a cabeça
gigante que o martelo
do tempo acerta
da escritura do vento nos ouvidos
e espalhando meus cabelos
menor ideia sobre a distribuição
das plantas e estrelas ao redor
das fogueiras nas praias
menor ideia sobre a noite longa
que se estende nas quedas
dos anjos e das cachoeiras
menor ideia sobre a vertigem
do ego devorando as pernas
das aparições carinhosas
menor ideia sobre a gestação
dos diamantes na língua
perdida do amor
menor ideia sobre a geladeira
que acolhe as lembranças
das cidades solares
menor ideia sobre a cabeça
gigante que o martelo
do tempo acerta
domingo, 1 de setembro de 2013
conte-me dos horrores,
não recuarei. seguiremos
no barco bêbado da noite
embalados pelas canções
das vespas e dos estômagos.
conte-me dos horrores,
não recuarei. seguiremos
no tapete voador usado
que guardei como vinho
para soluços e festas.
conte-me dos horrores,
não recuarei. seguiremos
no elefante perguntando
ao pó sobre nossos dias
entre cinzas e sonhos.
não recuarei. seguiremos
no barco bêbado da noite
embalados pelas canções
das vespas e dos estômagos.
conte-me dos horrores,
não recuarei. seguiremos
no tapete voador usado
que guardei como vinho
para soluços e festas.
conte-me dos horrores,
não recuarei. seguiremos
no elefante perguntando
ao pó sobre nossos dias
entre cinzas e sonhos.
sábado, 31 de agosto de 2013
o xamã virou um sapo
e continuou batendo papo
sobre a coragem do primeiro pássaro.
amanhã eu vou lá ontem, disse.
eu fiquei tentando ler a fumaça
que subia e dançava sobre sua cabeça.
a fogueira iluminava as pupilas, panteras
mordiam as tristezas e as carregavam para longe.
vi uma estrela sortuda caindo na língua do sapo.
e continuou batendo papo
sobre a coragem do primeiro pássaro.
amanhã eu vou lá ontem, disse.
eu fiquei tentando ler a fumaça
que subia e dançava sobre sua cabeça.
a fogueira iluminava as pupilas, panteras
mordiam as tristezas e as carregavam para longe.
vi uma estrela sortuda caindo na língua do sapo.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
seja como água, meu amigo,
disse bruce lee sorrindo.
dobrando, esticando, tudo
se move e canta e fica mudo.
seja como água, fluindo,
indo embora toda hora
sem sair do umbigo
do agora.
seja como água, sumindo
no ouro do outro, rindo
das cascas das formas.
seja como água, água
de beber, camarada,
água do banho nu
no rio da madrugada.
seja como água, vazio
é forma, forma é vazio.
seja como água, seja
quente, quente, frio.
disse bruce lee sorrindo.
dobrando, esticando, tudo
se move e canta e fica mudo.
seja como água, fluindo,
indo embora toda hora
sem sair do umbigo
do agora.
seja como água, sumindo
no ouro do outro, rindo
das cascas das formas.
seja como água, água
de beber, camarada,
água do banho nu
no rio da madrugada.
seja como água, vazio
é forma, forma é vazio.
seja como água, seja
quente, quente, frio.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
lembrando beto barbosa
a garota grita, berra
a garota urra, brada
dançando lombrada,
dançando lombrada.
(repete enquanto
houver canto)
a garota urra, brada
dançando lombrada,
dançando lombrada.
(repete enquanto
houver canto)
domingo, 25 de agosto de 2013
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
domingo, 11 de agosto de 2013
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
coragem, meu bem, coragem:
eu sei que a viagem é longa.
te prepara, descansa, alonga.
beijo tuas pernas, faço massagem.
atravessaremos as madrugadas,
viraremos pelo avesso as estradas:
todas as trilhas, sendas, entradas
nos levarão para longe das ciladas.
tenha fé, seguiremos a pé, tenha fé:
há festa e felicidade, aprendizados
dos ritmos, audições do rio, nós rimos.
nadaremos, meu bem: a água educa
nossa cuca cansada, lábios, olhos, almas.
eu sei que a viagem é longa.
te prepara, descansa, alonga.
beijo tuas pernas, faço massagem.
atravessaremos as madrugadas,
viraremos pelo avesso as estradas:
todas as trilhas, sendas, entradas
nos levarão para longe das ciladas.
tenha fé, seguiremos a pé, tenha fé:
há festa e felicidade, aprendizados
dos ritmos, audições do rio, nós rimos.
nadaremos, meu bem: a água educa
nossa cuca cansada, lábios, olhos, almas.
corpos e almas em suspensão
ávidos de vida, entre
idas e vindas, dentes
e danças nos fogos,
madrugadas, línguas
fervendo nossos corpos
(mapas): dois primatas
no cio das matas.
meu frágil calcanhar:
abocanhar teus mamilos.
viro jaguar, vários felinos
na folia das lambidas.
olhos de tigre, trago
teus sussurros e gemidos
para festa dos meus ouvidos.
linda e nua, debaixo da lua
você me alegra, você me alaga
a boca quando louca usa
as mãos agitadas e ternas
para grudar ainda mais
minha cabeça entre as
tuas pernas.
idas e vindas, dentes
e danças nos fogos,
madrugadas, línguas
fervendo nossos corpos
(mapas): dois primatas
no cio das matas.
meu frágil calcanhar:
abocanhar teus mamilos.
viro jaguar, vários felinos
na folia das lambidas.
olhos de tigre, trago
teus sussurros e gemidos
para festa dos meus ouvidos.
linda e nua, debaixo da lua
você me alegra, você me alaga
a boca quando louca usa
as mãos agitadas e ternas
para grudar ainda mais
minha cabeça entre as
tuas pernas.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
o incendiário e as gérberas
elas estão vivas, vermelhas
e quebram as telhas
da cidade cinza.
vai, macaco do fogo sagrado,
incendeia os contratempos
e aprende as gargalhadas
das espantosas gérberas.
desculpa não é olá, bom dia.
use com cautela e aprecie
a noite fria.
sopra um grilo, talvez
sibila, no ouvido:
dizer o que não pensa
para ouvir o que quer
é uma estratégia triste.
alimenta o tigre que existe
em teu peito e paira
acima do juízo.
sorri, sorri bastante,
seja mutante, tonto.
tanto afeto sem teto
comunica com as estrelas.
respire e lembre:
a vida é rio, raio
cruzando o céu
da boca.
nove noites, nove dias.
pele enrugada dos primatas.
autorretrato debaixo d'água:
aprendizado e alegrias.
fluir, fluir sempre no sopro
do espanto. coração chuvoso,
orações: palavras líquidas e magias.
haja em mim o saber do sim,
cheiro de alecrim e renovado encanto.
hoje eu vim de peito aberto
como o rio, esperto para o riso
e para o pranto.
pele enrugada dos primatas.
autorretrato debaixo d'água:
aprendizado e alegrias.
fluir, fluir sempre no sopro
do espanto. coração chuvoso,
orações: palavras líquidas e magias.
haja em mim o saber do sim,
cheiro de alecrim e renovado encanto.
hoje eu vim de peito aberto
como o rio, esperto para o riso
e para o pranto.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
enquanto o barulho da chuva
flutua, enquanto o amor não
cega, enquanto o silêncio é
compreendido, enquanto
anões gritam poemas.
enquanto as frutas adoçam
a boca, enquanto a língua
passeia cometas, enquanto
a fome acelera a vertigem.
enquanto o equilíbrio educa
a alma, enquanto a cuca se
infiltra nos cheiros, enquanto
a vida é sangue e gozo, fôlego.
enquanto o fogo é bicho solto,
enquanto foge uma multidão,
sapatos incendiados, enquanto
os abraços fazem nascer florestas.
terça-feira, 16 de julho de 2013
sexta-feira, 12 de julho de 2013
ogro sapiens
batendo a cabeça contra o tronco
da árvore mais próxima.
papo macaco com cupins,
disputa de gritos, mais braços
que shiva para matar mosquitos.
poucos dentes, muitos doentes.
por vezes, não conhece o que é bom.
quase não esquece de si e se perde
entre o depois, o durante e o antes
e seus desodorantes são da baygon.
da árvore mais próxima.
papo macaco com cupins,
disputa de gritos, mais braços
que shiva para matar mosquitos.
poucos dentes, muitos doentes.
por vezes, não conhece o que é bom.
quase não esquece de si e se perde
entre o depois, o durante e o antes
e seus desodorantes são da baygon.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
um banjo
o que você quer?,
ela perguntou.
te ajudar a rir,
a gozar e a ficar
bem, eu disse.
e rimos, gozamos
e ficamos bem.
sem compromisso,
ela comentou. com
improviso, eu combinei.
a noite chegou
e as pernas dela
foram para longe.
e eu, bem, eu
dormi feito um banjo.
ela perguntou.
te ajudar a rir,
a gozar e a ficar
bem, eu disse.
e rimos, gozamos
e ficamos bem.
sem compromisso,
ela comentou. com
improviso, eu combinei.
a noite chegou
e as pernas dela
foram para longe.
e eu, bem, eu
dormi feito um banjo.
aurora
aurora é uma rua,
aurora é uma senhora
que serve café de graça
para os bêbados, pela manhã.
aurora é uma cigana,
aurora é uma coletora
de frutas e raízes e sonhos,
aurora é uma deusa.
aurora é uma arte marcial,
aurora é agora e sempre,
aurora é uma oração.
aurora é uma música,
aurora é uma viagem,
aurora é uma sacanagem
entre o sol e a lua, escuridão
quase pelo avesso, quasar.
aurora é uma passagem
para a origem dos tempos.
aurora é uma senhora
que serve café de graça
para os bêbados, pela manhã.
aurora é uma cigana,
aurora é uma coletora
de frutas e raízes e sonhos,
aurora é uma deusa.
aurora é uma arte marcial,
aurora é agora e sempre,
aurora é uma oração.
aurora é uma música,
aurora é uma viagem,
aurora é uma sacanagem
entre o sol e a lua, escuridão
quase pelo avesso, quasar.
aurora é uma passagem
para a origem dos tempos.
terça-feira, 9 de julho de 2013
rodeados da bem-aventurança do Grande Mistério
não há cadeados para o afeto, a respiração segue
envolvendo a montanha e os ciclos lunares. ergue
os olhos e vê os vultos das plantas professoras,
árvores ensinando em silêncio, cio lento da seiva.
vai, seja a poeira e os pés, pêndulos pendurados
no teto do mundo, oscilando entre o riso e o choro.
mastiga as flores e as raízes, escapa das tocas
do egoísmo: há sabedoria selvagem no encontro.
almas incendiadas se olham longamente, riem
enquanto amanhece, enroscam mãos e pernas,
beijam os pés, as costas, os antebraços, línguas
andam na origem do mundo em seus corpos nus.
águas cristalinas nas retinas, breu da voz na garganta:
gemidos, sussurros, posições das estrelas do fogo.
aurora e abertura da aventura. ciclistas que furam
os bloqueios e fluem por lugares sem nome, sonham.
envolvendo a montanha e os ciclos lunares. ergue
os olhos e vê os vultos das plantas professoras,
árvores ensinando em silêncio, cio lento da seiva.
vai, seja a poeira e os pés, pêndulos pendurados
no teto do mundo, oscilando entre o riso e o choro.
mastiga as flores e as raízes, escapa das tocas
do egoísmo: há sabedoria selvagem no encontro.
almas incendiadas se olham longamente, riem
enquanto amanhece, enroscam mãos e pernas,
beijam os pés, as costas, os antebraços, línguas
andam na origem do mundo em seus corpos nus.
águas cristalinas nas retinas, breu da voz na garganta:
gemidos, sussurros, posições das estrelas do fogo.
aurora e abertura da aventura. ciclistas que furam
os bloqueios e fluem por lugares sem nome, sonham.
respiro e canto
saudação da chuva sobre meus cabelos:
eu respiro e canto a divindade interior
e respiro e canto as divindades na teia do planeta.
sol e lua, leões comendo as papoulas da primavera.
o cansaço não estará nos esperando após o despertar.
a manhã é uma benção e as estrelas são buracos
no chão do paraíso, pássaros que nos carregam no ar.
alegria rodopiante de milhões de crianças, krishna
tocando flauta madrugada adentro: cavalgaremos
os tigres envolvidos nas potências da energia criativa.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
bilhete estelar do iogue
senso de humor
deliciosamente tolo
vale bem mais que ouro,
eu sei e sinto e sigo.
foi um iogue
que me disse,
catando um bilhete
nas estrelas:
o riso não envelhece,
tolices são preces
infantis e loucas
e bêbadas.
absurdo, poeira
no umbigo: dentes
de orelha a orelha
tirando as telhas
da razão. velhas
rindo na tempestade
sem nenhuma saudade
do ego, do abrigo.
deliciosamente tolo
vale bem mais que ouro,
eu sei e sinto e sigo.
foi um iogue
que me disse,
catando um bilhete
nas estrelas:
o riso não envelhece,
tolices são preces
infantis e loucas
e bêbadas.
absurdo, poeira
no umbigo: dentes
de orelha a orelha
tirando as telhas
da razão. velhas
rindo na tempestade
sem nenhuma saudade
do ego, do abrigo.
domingo, 7 de julho de 2013
leão na lua
há um leão na lua,
vejo a olho nu.
caminha lentamente
como se soubesse
para onde vai, mas
não sabe.
urra para não errar.
o dia e seu sangue
amanhecem.
bebe água no rio,
sim, existe água na lua.
tem medo, mas desde cedo
sabe que o medo é um inseto
que faz barulho voando perto
dos ouvidos, mas não sabe nadar.
então, o leão mergulha na água.
vejo a olho nu.
caminha lentamente
como se soubesse
para onde vai, mas
não sabe.
urra para não errar.
o dia e seu sangue
amanhecem.
bebe água no rio,
sim, existe água na lua.
tem medo, mas desde cedo
sabe que o medo é um inseto
que faz barulho voando perto
dos ouvidos, mas não sabe nadar.
então, o leão mergulha na água.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
ferver
ferver, forever,
sem frivolidades.
rodopiar para longe
dos mapas das cidades.
queimar calcinhas e cuecas,
queimar, decididamente, as cucas.
subir as montanhas, dedicar
nove canções para as manhas
da natação dos jacarés, os pés
batendo no chão fazendo tremer
os mundos vermelhos de todo coração.
sem frivolidades.
rodopiar para longe
dos mapas das cidades.
queimar calcinhas e cuecas,
queimar, decididamente, as cucas.
subir as montanhas, dedicar
nove canções para as manhas
da natação dos jacarés, os pés
batendo no chão fazendo tremer
os mundos vermelhos de todo coração.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
lua no céu da manhã
chove e eu
sou um lobo.
estou vivo
e uivo.
a água
sabe todos
os meus segredos
e o sorriso que vejo
é a lua no céu da manhã.
sou um lobo.
estou vivo
e uivo.
a água
sabe todos
os meus segredos
e o sorriso que vejo
é a lua no céu da manhã.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
em silêncio, como
se fôssemos desconhecidos.
mas, então, a voz dela
em meus ouvidos:
tudo bom?
tudo bem, eu disse.
mas queria contar
uma piada para
que ela risse
e assim eu visse
o sorriso dela.
(sutil detalhe que a deixa
ainda mais bela)
em silêncio, novamente.
mundo estranho, animais
enterrados nos umbigos.
há vários futuros, possíveis,
de muitos tamanhos, artimanhas,
diversas manhãs. num amanhecer
ela sorri e está junto de mim.
noutros sequer há retratos.
apenas os tragos num quarto
escuro, cheirando a vinho:
o que não voa no ninho.
se fôssemos desconhecidos.
mas, então, a voz dela
em meus ouvidos:
tudo bom?
tudo bem, eu disse.
mas queria contar
uma piada para
que ela risse
e assim eu visse
o sorriso dela.
(sutil detalhe que a deixa
ainda mais bela)
em silêncio, novamente.
mundo estranho, animais
enterrados nos umbigos.
há vários futuros, possíveis,
de muitos tamanhos, artimanhas,
diversas manhãs. num amanhecer
ela sorri e está junto de mim.
noutros sequer há retratos.
apenas os tragos num quarto
escuro, cheirando a vinho:
o que não voa no ninho.
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