estamos definitivamente
dentro da deriva, o amor
é nu e multiplica a alegria
incontrolável do encontro
we're only for the honey, mel
do melhor, estamos nesta
pela conversa, não conversão
sexta-feira, 19 de junho de 2015
caos-pizzaria, você disse alimentando
os peixes que se multiplicavam
debaixo das barbas das profetas
indianas fãs de heavy metal & loucas
por noites de apneia & levitação
os peixes que se multiplicavam
debaixo das barbas das profetas
indianas fãs de heavy metal & loucas
por noites de apneia & levitação
eu cuidava de fazer vitaminas
de abacates para cobrir a ferrugem
da coleção de alicates de vovô & derramar
doses cavalares de conhaque nos cactos,
nos cascos dos jabutis, nas costas
de nossa irmã anã massoterapeuta
vovó descascava manga com sua katana
iluminada pelo lado escuro da lua & nua
cuspia pregos nos sapatos coloridos
& enormes de seu amante cego
de abacates para cobrir a ferrugem
da coleção de alicates de vovô & derramar
doses cavalares de conhaque nos cactos,
nos cascos dos jabutis, nas costas
de nossa irmã anã massoterapeuta
vovó descascava manga com sua katana
iluminada pelo lado escuro da lua & nua
cuspia pregos nos sapatos coloridos
& enormes de seu amante cego
sexta-feira, 8 de maio de 2015
segunda-feira, 27 de abril de 2015
tom zé do caixão
você, vocêê, todos vocêêês,
filhos da máquina, na entranha
gasolina e outras almas roubadas
na meia-noite de uma multinacional
filhos da máquina, na entranha
gasolina e outras almas roubadas
na meia-noite de uma multinacional
jorge de lima da pérsia
a lua vem da ásia, gigante
panfletário do caos e você
me traz carregamentos de
laranjas sanguíneas. a sede
começa no cheiro da casca
que se espalha e impregna
meus dias, meus dedos e
a cachaça, minha carcaça.
panfletário do caos e você
me traz carregamentos de
laranjas sanguíneas. a sede
começa no cheiro da casca
que se espalha e impregna
meus dias, meus dedos e
a cachaça, minha carcaça.
o sol pesando nos ombros e eu já tinha tomado uns quatro copos de
cerveja que murilo trouxe, uma cerva artesanal chamada "samurai cego".
falei pra ele que a primeira coisa que me vinha a mente com esse lance
de samurai era que eu não passava dois minutos jogando samurai shodown
no playtime aqui perto de casa que aparecia um prego qualquer pra
colocar contra e me tirar da máquina, com algumas malícias de galford,
hanzo ou haohmaru. eu não sabia jogar muita coisa com nenhum deles
e gostava do naipe do kyoshiro - lembrando dessa conversa dias depois
eu notei pela primeira vez que o kyoshiro é um ator de kabuki. daí eu
partia pra o arcade de real bout fatal fury e lá ninguém me incomodava,
quem colocava contra zarpava por conta do taekwondo que aprendi com kim
kaphwan. murilo, cortando a lombra, disse que está tudo integrado: o
gari japonês que vive com uma real doll é primo da menina que se
fantasia de sereia no interior de minas gerais. Eu ri com a associação. a
memória é sempre uma chuva inesperada, tudo é pólvora e fogo, gatilho.
murilo perguntou se eu já tinha lido proust. eu disse que não tinha lido
nem o prost e não gostava do joguinho de super nitendo do nigel
mansell. a idiotice é uma fruta muito doce. proust é um cara que
escreveu sobre como o biscoito treloso nos faz lembrar os dias de surf
em 1990, disparou murilo. fiquei sem saber o que responder e nessa hora
caíram duas mangas no quintal, foi jah. comendo as mangas, acho que
entendi a ideia do biscoito treloso. lembrei que dia desses tava tocando
just like the wind, do tony garcia, na carrocinha do tio que vende
caldo de cana e pão doce aqui na esquina. de repente, sem mais nem
menos, eu era novamente um pirralho dançando como um robô desajeitado
nas noites de rádio na varanda do térreo do prédio de alessandro
pacovan, a rua logo ali. daí bateu saudade de entrar na fila da merenda
da escola várias vezes, torcendo o rosto pra um lado e outro, pra baixo,
mancando e feito o seu boneco "dis costa" para catar uns quatro ou
cinco saquinhos de cilpinho de chocolate com pão doce.
sábado, 11 de abril de 2015
dizemos água e continuamos
com sede, o banho de chuva
ácida não lava nossa alma
mas expõe todos os ossos
há um enigma cabisbaixo
surfando em nossas lágrimas
há um milagre moribundo
impregnando nosso suor
nossas salivas não salvam
os oceanos de merda e plástico
tartarugas morrem todos os dias
sufocadas no horror de nosso sangue
não há líquido amniótico suficiente
para proteger os nascimentos dos rios
e não adianta andar sobre as águas
ou então transformá-las em vinho
enquanto não renovamos a seiva
de nossa medula mergulhando
plenamente na lama e no lodo, diluindo
nosso egos nas águas subterrâneas
dizemos água e continuamos
uns animais cheios de esquiva
esquecendo nossa origem aquática
e uma ética molhada para estes dias
com sede, o banho de chuva
ácida não lava nossa alma
mas expõe todos os ossos
há um enigma cabisbaixo
surfando em nossas lágrimas
há um milagre moribundo
impregnando nosso suor
nossas salivas não salvam
os oceanos de merda e plástico
tartarugas morrem todos os dias
sufocadas no horror de nosso sangue
não há líquido amniótico suficiente
para proteger os nascimentos dos rios
e não adianta andar sobre as águas
ou então transformá-las em vinho
enquanto não renovamos a seiva
de nossa medula mergulhando
plenamente na lama e no lodo, diluindo
nosso egos nas águas subterrâneas
dizemos água e continuamos
uns animais cheios de esquiva
esquecendo nossa origem aquática
e uma ética molhada para estes dias
o menino jesus queria
ser bombeiro, disse
terezinha maria de jesus,
mãe do menino jesus.
foi baleado na porta de casa,
o menino eduardo de jesus ferreira,
lá no complexo do alemão.
foi a polícia: "houve um confronto
e um menor foi baleado".
fomos nós mesmos que crucificamos o menino jesus
bem antes dos trinta e três anos.
na tv, segue o feriadão da semana santa.
uns comem peixe, outros tomam cerveja.
e o menino jesus não voltará como bombeiro
para nos salvar deste incêndio.
ser bombeiro, disse
terezinha maria de jesus,
mãe do menino jesus.
foi baleado na porta de casa,
o menino eduardo de jesus ferreira,
lá no complexo do alemão.
foi a polícia: "houve um confronto
e um menor foi baleado".
fomos nós mesmos que crucificamos o menino jesus
bem antes dos trinta e três anos.
na tv, segue o feriadão da semana santa.
uns comem peixe, outros tomam cerveja.
e o menino jesus não voltará como bombeiro
para nos salvar deste incêndio.
segunda-feira, 23 de março de 2015
ele não tem dúvidas de que é o maior poeta brasileiro vivo. mas anda
mesmo é com a cabeça nas enterradas do kobe bryant e quase chora quando
as luzes da quadra de basquete de rua do interior de buenos aires, no
interior de pernambuco, estão acesas à noite. isto acontece uma vez ao
mês. o pai trabalha na feira da cidade, a mãe faz artesanato que um
gringo atravessador compra barato e vende caro em berlim. dois metros e
vinte centímetros. ele não duvida que é o maior poeta brasileiro vivo. e
vive lembrando que poesia não salva ninguém, anda sempre de barro. e
não desenrola nem uma bola, nem as luzes acesas durante o mês. mas ele
continua escrevendo e tentando arremessos de três e ménage à trois.
verde é a cor do mofo e da corrupção.
deslizamos suavemente sobre
a superfície das águas
sem saber
que os motores do barco
irão parar de repente
e ficaremos
à deriva
por pouco tempo, é verdade.
peste, guerra, fome e morte
são cavalos rápidos
e estamos espalhando nosso necrochorume
pelos lençóis freáticos.
freaks fanáticos, aprendemos a gozar
entre os gases do efeito estufa
e os vapores do asfalto.
osso contra osso, ácido.
os mortos enterram os mortos
e as baratas e os javalis não sentirão nossa falta.
já não há fantasmas no sofá,
e do vinho não sobrou nem os copos
e eu não ouço mais minha vó cantar:
o planeta é uma planta y no plata.
deslizamos suavemente sobre
a superfície das águas
sem saber
que os motores do barco
irão parar de repente
e ficaremos
à deriva
por pouco tempo, é verdade.
peste, guerra, fome e morte
são cavalos rápidos
e estamos espalhando nosso necrochorume
pelos lençóis freáticos.
freaks fanáticos, aprendemos a gozar
entre os gases do efeito estufa
e os vapores do asfalto.
osso contra osso, ácido.
os mortos enterram os mortos
e as baratas e os javalis não sentirão nossa falta.
já não há fantasmas no sofá,
e do vinho não sobrou nem os copos
e eu não ouço mais minha vó cantar:
o planeta é uma planta y no plata.
afinal de contas, ser feliz pra quê? ela perguntou como quem atira um
vaso chinês da dinastia ming contra a parede. eu olhava cada caquinho de
porcelana, com suas pequenas flores azuis desfiguradas. a vida é o que
é, um pouco de vento alivia a tristeza das samambaias, um pouco de água
sempre é suficiente para fazer o filhote de leopardo que guardo no peito
abrir um sorriso. as pequenas flores azuis, os caquinhos, começaram a
se juntar quando uma ambulância passou na avenida rasgando
o horizonte para socorrer corações atropelados. esqueci de dizer,
estávamos pelados. as palavras caem no chão feito frutas. às vezes é
possível encontrar uma manga madura no chão, sem grandes hematomas. mas
na maior parte do tempo chegamos atrasados e as palavras apodrecem.
frases ditas perto da caixa toráxica pesam mais que a respiração dos
rinocerontes. em tudo que disse, ela permaneceu de olhos fechados.
lindos olhos verdes dormindo debaixo das pálpebras do sonambulismo. como
um geógrafo cego, tateei o dorso dela, as pernas, os poemas das
omoplatas, as canções das orelhas e a tranquilidade dos dedos mindinhos
dos pés. a imagem da felicidade é um guarda-chuva que esquecemos no
ônibus que nos levou para longe de nós mesmos. ela abriu os olhos. eu já
não precisava descobrir a tradução do termo sânscrito santosha.
cometeremos erros melhores amanhã, eu disse.
o oceano é uma
cama larga: esta
canção é sobre
sangue sobre
tempo também
nossos corpos
à deriva
vinho e cerveja,
estamos mortos
e jamais morreremos
os ossos dos nossos
dedos batucam a pele
das águas no ritmo
destas gotas de chuva
uma delícia, este vinho
uma delícia, esta cerveja
nossos corpos
à deriva
tiamat nos festeja
cama larga: esta
canção é sobre
sangue sobre
tempo também
nossos corpos
à deriva
vinho e cerveja,
estamos mortos
e jamais morreremos
os ossos dos nossos
dedos batucam a pele
das águas no ritmo
destas gotas de chuva
uma delícia, este vinho
uma delícia, esta cerveja
nossos corpos
à deriva
tiamat nos festeja
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
o tigre e william blake o golfinho
e dora ferreira da silva o urubu
e augusto dos anjos o corvo
e edgar allan poe o albatroz
e charles baudelaire a barata
e clarice lispector a lesma
e manoel de barros a abelha
e alice ruiz o sapo
e manuel bandeira o sapo liu-liu
e hilda hilst a rã
e matsuo bashô o cão
e alberto da cunha melo o cão
e joão cabral de melo neto o peixe
e adília lopes o cisne
e william butler yeats o pássaro
e alejandra pizarnik o pássaro
e charles bukowski o jaguar
e roberto piva o lobo
e virginia woolf o escorpião
e bruna surfistinha o puma
e hannah höch o urso
e cassiano ricardo o urso
e diane di prima o unicórnio
e audre lorde o leão
e michael mcclure o leão
e björk o gato
e maya deren o cavalo
e patti smith
e dora ferreira da silva o urubu
e augusto dos anjos o corvo
e edgar allan poe o albatroz
e charles baudelaire a barata
e clarice lispector a lesma
e manoel de barros a abelha
e alice ruiz o sapo
e manuel bandeira o sapo liu-liu
e hilda hilst a rã
e matsuo bashô o cão
e alberto da cunha melo o cão
e joão cabral de melo neto o peixe
e adília lopes o cisne
e william butler yeats o pássaro
e alejandra pizarnik o pássaro
e charles bukowski o jaguar
e roberto piva o lobo
e virginia woolf o escorpião
e bruna surfistinha o puma
e hannah höch o urso
e cassiano ricardo o urso
e diane di prima o unicórnio
e audre lorde o leão
e michael mcclure o leão
e björk o gato
e maya deren o cavalo
e patti smith
o oceano é uma
cama larga: esta
canção é sobre
sangue sobre
tempo também
nossos corpos
à deriva
vinho e cerveja,
estamos mortos
e jamais morreremos
os ossos dos nossos
dedos batucam a pele
das águas no ritmo
destas gotas de chuva
uma delícia, este vinho
uma delícia, esta cerveja
nossos corpos
à deriva
tiamat nos festeja
cama larga: esta
canção é sobre
sangue sobre
tempo também
nossos corpos
à deriva
vinho e cerveja,
estamos mortos
e jamais morreremos
os ossos dos nossos
dedos batucam a pele
das águas no ritmo
destas gotas de chuva
uma delícia, este vinho
uma delícia, esta cerveja
nossos corpos
à deriva
tiamat nos festeja
nos bolsos furados da nossa memória:
as pernas quebradas, um velhinho jogando
pôquer com os pombos, um pedaço de chão
coberto de lodo onde enfiamos nosso narizes
para fugir do cheiro do barulho dos prédios,
moscas sobrevoando a paz dos pratos sujos,
livros de receitas da avó de eddie vedder,
bagas, litros de suco de pitanga com pastel,
plantas carnívoras, carcaças de canários,
gols feitos durante a fuga das aulas de língua
portuguesa, noites de vinho & vômito, visões
de naves alienígenas transformadas em bolhas
de sabão, sabedoria da velhinha que vendia
amendoins e deliciosos caldinhos de sururu,
o peixe-beta que morreu na frente do espelho,
as bolas de gude roubadas e perdidas, mangas
com sal nos terrenos baldios, deus e sua solidão.
pôquer com os pombos, um pedaço de chão
coberto de lodo onde enfiamos nosso narizes
para fugir do cheiro do barulho dos prédios,
moscas sobrevoando a paz dos pratos sujos,
livros de receitas da avó de eddie vedder,
bagas, litros de suco de pitanga com pastel,
plantas carnívoras, carcaças de canários,
gols feitos durante a fuga das aulas de língua
portuguesa, noites de vinho & vômito, visões
de naves alienígenas transformadas em bolhas
de sabão, sabedoria da velhinha que vendia
amendoins e deliciosos caldinhos de sururu,
o peixe-beta que morreu na frente do espelho,
as bolas de gude roubadas e perdidas, mangas
com sal nos terrenos baldios, deus e sua solidão.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
você recebe o poema pelas pernas
e então corre feito uma criança
picada por vespas amarelas
você recebe o poema pelas unhas
e então descasca as camadas
antigas de tinta sobre as pupilas
você recebe o poema pelas pálpebras,
pelas nádegas, pelas sobrancelhas,
pelas narinas, pelas virilhas, medula
você recebe o poema pela testa,
mandíbulas, o poema fura tuas bochechas,
faz tremer as tuas coxas (como numa foda)
você recebe o poema e ele quebra tuas costelas
e coloca na tua garganta as vozes das capivaras
que não escaparam de nossa sede de sangue & carne
você recebe o poema: purple haze, bike, avatar:
o poema abre tua boca, o poema deita em tua língua.
e então corre feito uma criança
picada por vespas amarelas
você recebe o poema pelas unhas
e então descasca as camadas
antigas de tinta sobre as pupilas
você recebe o poema pelas pálpebras,
pelas nádegas, pelas sobrancelhas,
pelas narinas, pelas virilhas, medula
você recebe o poema pela testa,
mandíbulas, o poema fura tuas bochechas,
faz tremer as tuas coxas (como numa foda)
você recebe o poema e ele quebra tuas costelas
e coloca na tua garganta as vozes das capivaras
que não escaparam de nossa sede de sangue & carne
você recebe o poema: purple haze, bike, avatar:
o poema abre tua boca, o poema deita em tua língua.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
os méritos do cinismo
ridiculamente tímidos e prudentes, isto que somos.
quando aprenderemos novamente a cuspir
nos rostos dos proprietários da terra?
há uma virtude restauradora nos oceanos de saliva,
uma graça infinita na aventura enlouquecida da sinceridade.
contra a hipnose do infinito, contra os freios da hipocrisia
contra os bocejos da sabedoria de palestra.
escolhemos desfilar nossa solidão em praça pública,
desafiamos a claridade barriguda dos militares.
quem escuta as respostas do lodo para questões místicas?
quem escuta nossa zombaria e latidos enquanto compra
cervejas quentes feitas de milho transgênico por bolivianos cansados?
a tarefa do poeta é bater punheta para gozar na cara
dos doutrinadores da alma & do corpo, exibir
a completa amargura e lavar os ossos
de nossa condição despojada.
"quem me dera que bastasse também
esfregar a barriga para não ter mais fome",
disse o cão celestial depois de ejacular.
condomínio de enfermos, prisioneiros da certeza,
haverá uma chuva de equívocos e sairemos bêbados
carregados pelos pontapés do nojo que o tempo nutre
de nossa miséria, nossa farsa: um rosto repugnante
que insistimos em transformar em senhor das moscas.
quando aprenderemos novamente a cuspir
nos rostos dos proprietários da terra?
há uma virtude restauradora nos oceanos de saliva,
uma graça infinita na aventura enlouquecida da sinceridade.
contra a hipnose do infinito, contra os freios da hipocrisia
contra os bocejos da sabedoria de palestra.
escolhemos desfilar nossa solidão em praça pública,
desafiamos a claridade barriguda dos militares.
quem escuta as respostas do lodo para questões místicas?
quem escuta nossa zombaria e latidos enquanto compra
cervejas quentes feitas de milho transgênico por bolivianos cansados?
a tarefa do poeta é bater punheta para gozar na cara
dos doutrinadores da alma & do corpo, exibir
a completa amargura e lavar os ossos
de nossa condição despojada.
"quem me dera que bastasse também
esfregar a barriga para não ter mais fome",
disse o cão celestial depois de ejacular.
condomínio de enfermos, prisioneiros da certeza,
haverá uma chuva de equívocos e sairemos bêbados
carregados pelos pontapés do nojo que o tempo nutre
de nossa miséria, nossa farsa: um rosto repugnante
que insistimos em transformar em senhor das moscas.
não fosse a escrita, na melhor das hipóteses
eu estaria parado na frente de um rinoceronte
fumando um fininho californiano encontrado
entre sapatos abandonados e hare krishnas.
não fosse a escrita, na melhor das hipóteses
eu estaria o dia inteiro enfiando álcool e gasolina
nos tanques de combustível dos carros currados
por motoristas sem imaginação, depois do polimento.
não fosse a escrita, na melhor das hipóteses
eu ainda estaria trabalhando na televisão
ligando para delegacias à procura de prisões
e assassinatos interessantes para nossos abutres.
não fosse a escrita, na melhor das hipóteses
eu permaneceria eternamente vendendo cópias
dos desenhos dos cavaleiros do zodíaco
para crianças cegas, anões e ninjas aposentados.
eu estaria parado na frente de um rinoceronte
fumando um fininho californiano encontrado
entre sapatos abandonados e hare krishnas.
não fosse a escrita, na melhor das hipóteses
eu estaria o dia inteiro enfiando álcool e gasolina
nos tanques de combustível dos carros currados
por motoristas sem imaginação, depois do polimento.
não fosse a escrita, na melhor das hipóteses
eu ainda estaria trabalhando na televisão
ligando para delegacias à procura de prisões
e assassinatos interessantes para nossos abutres.
não fosse a escrita, na melhor das hipóteses
eu permaneceria eternamente vendendo cópias
dos desenhos dos cavaleiros do zodíaco
para crianças cegas, anões e ninjas aposentados.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
ainda estamos juntos
apesar de você praticar yoga com imigrantes vietnamitas
depois de molhar os pés nas águas do pacífico, enquanto
eu continuo catando moedas velhas nas areias sem fim
de uma praia fracassada lambida pelo atlântico -
tudo isso para entulhar a alma de ferrugem
e encher os bolsos com os avisos dos gansos.
apesar de você encontrar o táxi-chuvoso que te ilumina
e diz que todas las noches terminan en el malecón,
enquanto eu sigo enterrando chaves de fenda no fundo dos olhos
dos peixes abandonados debaixo da vaidade do sol, enquanto
eu permaneço escrevendo poemas para depósitos bancários,
poemas para trocar por lsd fajuto feito com listas telefônicas
e bastante cola branca, enquanto eu fico telefonando
para as alucinações, juntando as vísceras e os vícios
dos pardais devorados pelos banhos de soda cáustica.
apesar de você mergulhar com tubarões na polinésia
e descobrir as potências sexuais e curativas de moquecas
condimentadas com muito cravo, páprica e pimentas negras,
enquanto eu não paro de comer o pão que o diabo traz
de uma padaria tailandesa onde um anão viciado em pôquer
produz receitas tristes embalado por um tango lunático.
apesar de você amanhecer entre os dentes dos mímicos
desempregados da última turma da universidade de pequim,
enquanto eu anoiteço dentro da geladeira, ladeira abaixo,
enquanto eu anoto quase todas as frases que não me dizem
mas que eu escuto, enquanto eu estoco tristeza e feijão
debaixo das unhas - o suficiente para alimentar as canções
das baleias migrantes à procura de águas quentes.
ainda estamos juntos: somos vizinhos da enfermaria nº6.
ainda estamos juntos e jantamos os ossos da alegria e do tédio.
ainda estamos juntos e morreremos juntos e nossas juntas
serão colocadas na mesma caixa de ferro e lançadas ao mar.
apesar de você saber assoviar, enquanto eu sei cuspir mais longe:
ainda estamos juntos e ficaremos bem velhinhos como ronnie & donnie.
depois de molhar os pés nas águas do pacífico, enquanto
eu continuo catando moedas velhas nas areias sem fim
de uma praia fracassada lambida pelo atlântico -
tudo isso para entulhar a alma de ferrugem
e encher os bolsos com os avisos dos gansos.
apesar de você encontrar o táxi-chuvoso que te ilumina
e diz que todas las noches terminan en el malecón,
enquanto eu sigo enterrando chaves de fenda no fundo dos olhos
dos peixes abandonados debaixo da vaidade do sol, enquanto
eu permaneço escrevendo poemas para depósitos bancários,
poemas para trocar por lsd fajuto feito com listas telefônicas
e bastante cola branca, enquanto eu fico telefonando
para as alucinações, juntando as vísceras e os vícios
dos pardais devorados pelos banhos de soda cáustica.
apesar de você mergulhar com tubarões na polinésia
e descobrir as potências sexuais e curativas de moquecas
condimentadas com muito cravo, páprica e pimentas negras,
enquanto eu não paro de comer o pão que o diabo traz
de uma padaria tailandesa onde um anão viciado em pôquer
produz receitas tristes embalado por um tango lunático.
apesar de você amanhecer entre os dentes dos mímicos
desempregados da última turma da universidade de pequim,
enquanto eu anoiteço dentro da geladeira, ladeira abaixo,
enquanto eu anoto quase todas as frases que não me dizem
mas que eu escuto, enquanto eu estoco tristeza e feijão
debaixo das unhas - o suficiente para alimentar as canções
das baleias migrantes à procura de águas quentes.
ainda estamos juntos: somos vizinhos da enfermaria nº6.
ainda estamos juntos e jantamos os ossos da alegria e do tédio.
ainda estamos juntos e morreremos juntos e nossas juntas
serão colocadas na mesma caixa de ferro e lançadas ao mar.
apesar de você saber assoviar, enquanto eu sei cuspir mais longe:
ainda estamos juntos e ficaremos bem velhinhos como ronnie & donnie.
grandelícia
as tristezas não sopram as retinas
cansadas da velha guerra
entre a febre
e o ouro.
cansadas da velha guerra
entre a febre
e o ouro.
à beira do abismo, uma sopa.
há uma cantoria dentro dos ossos,
há uma cantoria dentro dos nossos
dias mais esquisitos e espatifados
e espalhados pelo chão da cozinha.
na foda dos bonobos, na sinceridade
dos cinzeiros cheios de dentes,
nas bicicletas sorridentes e enferrujadas,
nas pilhas velhas, nas ilhas de cimento:
tédio, tesão
e um cheiro de caju impregnado no cu
das nove mil noites de cianureto.
há uma cantoria dentro dos ossos,
há uma cantoria dentro dos nossos
dias mais esquisitos e espatifados
e espalhados pelo chão da cozinha.
na foda dos bonobos, na sinceridade
dos cinzeiros cheios de dentes,
nas bicicletas sorridentes e enferrujadas,
nas pilhas velhas, nas ilhas de cimento:
tédio, tesão
e um cheiro de caju impregnado no cu
das nove mil noites de cianureto.
sábado, 3 de janeiro de 2015
arte poética
incendiar noites e dias, a carne do mundo
lamber perambulando entre onças e pedras.
sorrir na companhia dos mendigos.
sujar as retinas, as botas, as beatas
foder. ao redor do umbigo,
cuspir.
amar a água, a égua, a águia e
comer os caminhos abertos da invisibilidade.
repartir as vísceras, próprias e alheias, entre chacais,
tanques de combustível e soluços.
voar no céu da boca, vadiar debaixo dos monturos.
perder os dentes, os dedos, poder povoar a solidão.
provocar brigas, dançar forró com garis nas madrugadas,
digerir didgeridoos, apaziguar as mortes azuis.
lamber perambulando entre onças e pedras.
sorrir na companhia dos mendigos.
sujar as retinas, as botas, as beatas
foder. ao redor do umbigo,
cuspir.
amar a água, a égua, a águia e
comer os caminhos abertos da invisibilidade.
repartir as vísceras, próprias e alheias, entre chacais,
tanques de combustível e soluços.
voar no céu da boca, vadiar debaixo dos monturos.
perder os dentes, os dedos, poder povoar a solidão.
provocar brigas, dançar forró com garis nas madrugadas,
digerir didgeridoos, apaziguar as mortes azuis.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
poema desentranhado da fala de mestre laurentino
deus é uma banana:
nasce verde, fica amarela
e então fica boa.
a gente come.
nasce verde, fica amarela
e então fica boa.
a gente come.
ontem, universo
que anda na fumaça.
há peixes nos pés da manhã
ruminando rastros elétricos
do xaxado suave dos bois
irrupção do canto, aparição
dos ossos, pouso eterno
do navio nas lágrimas
do hidrante, urbe
que dorme no retorno
da amplidão: vento anônimo.
golpe de sorte, pulmão:
dois gomos de tangerina
apaixonados pelo ar.
que anda na fumaça.
há peixes nos pés da manhã
ruminando rastros elétricos
do xaxado suave dos bois
irrupção do canto, aparição
dos ossos, pouso eterno
do navio nas lágrimas
do hidrante, urbe
que dorme no retorno
da amplidão: vento anônimo.
golpe de sorte, pulmão:
dois gomos de tangerina
apaixonados pelo ar.
o grande e o pequeno fiteiro do comerciante universal
vendemos um poema para cada janela
enquanto passeamos, vira-latas na via láctea,
com os olhos engolindo um pouco de luz
que escapa da fiscalização do trânsito celeste.
gigantes de pedra morreram asfixiados.
apesar disto, a erva cresce no final
do corredor. nossas dores escorrem
pelo caule da árvore, pingando por suas raízes
aéreas. esfinges fingem não roer as unhas
quando olham as ruínas da conciliação.
a pele dos prédios descama cotidianamente
e o sol retorcido das pixações faz carinho no lodo.
enquanto passeamos, vira-latas na via láctea,
com os olhos engolindo um pouco de luz
que escapa da fiscalização do trânsito celeste.
gigantes de pedra morreram asfixiados.
apesar disto, a erva cresce no final
do corredor. nossas dores escorrem
pelo caule da árvore, pingando por suas raízes
aéreas. esfinges fingem não roer as unhas
quando olham as ruínas da conciliação.
a pele dos prédios descama cotidianamente
e o sol retorcido das pixações faz carinho no lodo.
é possível recuperar a noite em suas entranhas,
mas comumente as mãos buscam o pão diário
para derrotar o silêncio. armadura que descansa
no colo do abismo, olho atento do lagarto, arma
que engole a frieza dos esquecidos, a moleza
das traças. refúgio da insensatez dos insetos,
peito sempre aberto nos ferros derretidos.
milagre que atravessa o século, trapo, língua lenta
da memória coberta de sal. sem pernas, viaja na carícia
desordenada e desatenta dos cadernos empoeirados.
suas penas congeladas guardam as distâncias percorridas
por fantasmas à procura de albergue. duzentos anões
adormecem debaixo dos seus cabelos. jaula ou garganta,
nenhum parentesco. arremessar os ombros contra os cantos,
amassar seus ossos de ferrugem, ele manso. guardião distraído,
silencioso, exceto quando vazio. é quando grita e derrete,
mesmo de pé. então as lesmas lambem o sangue
de seus segredos. e aranhas tratam de cobrir
sua ruína exposta ao sol.
mas comumente as mãos buscam o pão diário
para derrotar o silêncio. armadura que descansa
no colo do abismo, olho atento do lagarto, arma
que engole a frieza dos esquecidos, a moleza
das traças. refúgio da insensatez dos insetos,
peito sempre aberto nos ferros derretidos.
milagre que atravessa o século, trapo, língua lenta
da memória coberta de sal. sem pernas, viaja na carícia
desordenada e desatenta dos cadernos empoeirados.
suas penas congeladas guardam as distâncias percorridas
por fantasmas à procura de albergue. duzentos anões
adormecem debaixo dos seus cabelos. jaula ou garganta,
nenhum parentesco. arremessar os ombros contra os cantos,
amassar seus ossos de ferrugem, ele manso. guardião distraído,
silencioso, exceto quando vazio. é quando grita e derrete,
mesmo de pé. então as lesmas lambem o sangue
de seus segredos. e aranhas tratam de cobrir
sua ruína exposta ao sol.
canção de ninar n°3
então ouve a chuva cair,
ouve a chuva levantar.
lavar os ossos e partir
lá pras bandas do mar.
a chuva é um bicho tão bonito,
é quase um grito de um leão.
o chão molhado é infinito,
é o mito da barriga do grão.
ouve a chuva levantar.
lavar os ossos e partir
lá pras bandas do mar.
a chuva é um bicho tão bonito,
é quase um grito de um leão.
o chão molhado é infinito,
é o mito da barriga do grão.
Canção de ninar n°2
Lá fora a chuva cai
Lá fora a chuva cai
E eu estou aqui
E eu estou aqui
Nos braços do meu pai
Nos braços do meu pai
Eu ouço a água vem
Eu ouço a água vem
Lavar a minha alma
Lavar a minha alma
E a do meu bem
E a do meu bem
Com o tempo cresce a planta
Com o tempo cresce a planta
E o meu coração
E o meu coração
Se enche de luz e canta
Se enche de luz e canta.
Lá fora a chuva cai
E eu estou aqui
E eu estou aqui
Nos braços do meu pai
Nos braços do meu pai
Eu ouço a água vem
Eu ouço a água vem
Lavar a minha alma
Lavar a minha alma
E a do meu bem
E a do meu bem
Com o tempo cresce a planta
Com o tempo cresce a planta
E o meu coração
E o meu coração
Se enche de luz e canta
Se enche de luz e canta.
canção de ninar nº 1
nós vamos de bicicletas
ou iremos de lambretas
vamos virar cambalhotas
pelas ruas, piruetas
tanta careta pra fazer
eu e você, eu e você
ou iremos de lambretas
vamos virar cambalhotas
pelas ruas, piruetas
tanta careta pra fazer
eu e você, eu e você
vicente vidente
um menino mágico,
vicente vidente: água,
água, água e amor
fluindo no ambiente
pelágico, pelado
e deitado ao meu lado
ainda sem dente.
vicente vidente: água,
água, água e amor
fluindo no ambiente
pelágico, pelado
e deitado ao meu lado
ainda sem dente.
um jaguar perambula pela mente.
a consciência permeável se aquece
no sol e se esfria na noite de veludo verde.
grãos da sombra, grous que sobem
nos ombros do vento doido.
caminhar, quando caminhar.
sentar, quando sentar.
ouro e escuridão, a mudança
é um caminhão vazio e lento
catando desastres e gargalhadas.
a consciência permeável se aquece
no sol e se esfria na noite de veludo verde.
grãos da sombra, grous que sobem
nos ombros do vento doido.
caminhar, quando caminhar.
sentar, quando sentar.
ouro e escuridão, a mudança
é um caminhão vazio e lento
catando desastres e gargalhadas.
cavalo do cão mijando
no caos dentro de si
para fazer nascer
uma bailarina estelar
diamantes no esterco,
papo vulgar,
popol vuh,
voilà!
as bananas
os macacos
galhos de fogo no alto
da árvore cósmica
a cena cômica, o vômito
do pássaro g i g a n t e
na cabeça do caniço pensante
frio e escuridão, baratas
num bar atômico, tempo nublado
cerveja, cervantes, outra cerveja
e o terremoto não lambe
nosso umbigo
o sol saberá o sabor
das carcaças
trazidas pela maré
cabeleiras de algas,
ossos e sangue.
no caos dentro de si
para fazer nascer
uma bailarina estelar
diamantes no esterco,
papo vulgar,
popol vuh,
voilà!
as bananas
os macacos
galhos de fogo no alto
da árvore cósmica
a cena cômica, o vômito
do pássaro g i g a n t e
na cabeça do caniço pensante
frio e escuridão, baratas
num bar atômico, tempo nublado
cerveja, cervantes, outra cerveja
e o terremoto não lambe
nosso umbigo
o sol saberá o sabor
das carcaças
trazidas pela maré
cabeleiras de algas,
ossos e sangue.
ontem totem amanhã
as bicicletas se perdem na noite,
a vida é eterna em vinte minutos.
a chuva aumenta a voz, reencontramos
as dúvidas e as vidas que desaparecem
no breu da fome a cada dez segundos.
há sabedoria na ira: a ventania levanta
uma comunidade em nossos peitos.
perambulamos em ambulâncias
cheios de nosso amor ambulante
entre o possível e a solidão.
a vida é eterna em vinte minutos.
a chuva aumenta a voz, reencontramos
as dúvidas e as vidas que desaparecem
no breu da fome a cada dez segundos.
há sabedoria na ira: a ventania levanta
uma comunidade em nossos peitos.
perambulamos em ambulâncias
cheios de nosso amor ambulante
entre o possível e a solidão.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
no clube do coelho azul
as garotas tocam hardcore
de topless, enquanto eu bebo
um pouco de cerveja mexicana.
o desaparecimento das vespas
e abelhas é uma coisa triste.
seguranças chineses fumam
cigarros do clã do dragão.
as rainhas das profundezas
usam enxadas para conversar
com minha mente derretida.
não perco o ônibus espacial
que atravessa a madrugada:
durmo nu, coberto de ossos.
de topless, enquanto eu bebo
um pouco de cerveja mexicana.
o desaparecimento das vespas
e abelhas é uma coisa triste.
seguranças chineses fumam
cigarros do clã do dragão.
as rainhas das profundezas
usam enxadas para conversar
com minha mente derretida.
não perco o ônibus espacial
que atravessa a madrugada:
durmo nu, coberto de ossos.
sábado, 29 de março de 2014
AGORA TALVEZ AGORA AKIRA ACHE A CURA
AGORA TALVEZ A CHAVE A FENDA O FUNDO DA CHUVA
AKIRA A LAMA AGORA O LEMA DA ÁGUA O VIDRO
AGORA AKIRA TALVEZ AGRURA ADORA CABEÇA AGORA ESCURA
a dor chega. amanhece,
aconchega no peito a febre,
a lebre o livro de vento não fere
a fibra o rosto roto do resto dos dias.
AGORA TALVEZ A CHAVE A FENDA O FUNDO DA CHUVA
AKIRA A LAMA AGORA O LEMA DA ÁGUA O VIDRO
AGORA AKIRA TALVEZ AGRURA ADORA CABEÇA AGORA ESCURA
a dor chega. amanhece,
aconchega no peito a febre,
a lebre o livro de vento não fere
a fibra o rosto roto do resto dos dias.
sísifo, lavador de pratos
não há pedras para carregar
para o alto da montanha
todas as manhãs. apenas
uma pilha de louça suja,
uma bacia com água suja,
esponja cheia de bactérias.
não há coleira para prender
a morte junto ao poste da CELPE.
(dois cozinheiros já morreram
encostados nos fios desencapados)
sísifo lava as facas, as facas,
as facas e nunca leva a ideia adiante.
no intervalo acende um cigarro e observa
a gordura gordura gordura que entope o ralo.
lavar pratos não é trabalhar com limpeza.
apenas transferência, a imundície vai
de um lugar para outro. ouro é tolice
nos dentes do morto e na cozinha
assobios não escondem os guinchos dos ratos.
sísifo, lavador de pratos.
todas as manhãs
retorna.
não há sentido em lavar pratos,
levar nuvens no bolso.
o osso
compreende a vida ao máximo.
sísifo, se fu
deu.
para o alto da montanha
todas as manhãs. apenas
uma pilha de louça suja,
uma bacia com água suja,
esponja cheia de bactérias.
não há coleira para prender
a morte junto ao poste da CELPE.
(dois cozinheiros já morreram
encostados nos fios desencapados)
sísifo lava as facas, as facas,
as facas e nunca leva a ideia adiante.
no intervalo acende um cigarro e observa
a gordura gordura gordura que entope o ralo.
lavar pratos não é trabalhar com limpeza.
apenas transferência, a imundície vai
de um lugar para outro. ouro é tolice
nos dentes do morto e na cozinha
assobios não escondem os guinchos dos ratos.
sísifo, lavador de pratos.
todas as manhãs
retorna.
não há sentido em lavar pratos,
levar nuvens no bolso.
o osso
compreende a vida ao máximo.
sísifo, se fu
deu.
uma voz do chão, sopro.
poros atentos aos movimentos
do ar. SANGUE & SONHO.
casa de parto das almas.
pernas e milagres da respiração.
útero, útero, útero: árvore
entre céu e terra.
mobilidade, luxo do fluxo
feliz da intuição. o sorriso
da mulher abre uma brecha
na realidade tagarela.
sem obra do homem,
sem manobra de kristeller.
deposição da criança no solo: somos
terra, pó, este nó incompreensível
com a poeira das estrelas.
poros atentos aos movimentos
do ar. SANGUE & SONHO.
casa de parto das almas.
pernas e milagres da respiração.
útero, útero, útero: árvore
entre céu e terra.
mobilidade, luxo do fluxo
feliz da intuição. o sorriso
da mulher abre uma brecha
na realidade tagarela.
sem obra do homem,
sem manobra de kristeller.
deposição da criança no solo: somos
terra, pó, este nó incompreensível
com a poeira das estrelas.
segunda-feira, 17 de março de 2014
sábado, 15 de março de 2014
a faxina do xamã
a faxina do xamã
a faxina do xamã
luz que rodopia
escuridão sombra
alma da coruja atenta
a faxina do xamã
garganta mantra
a faxina do xamã
olhos limpos, pele
lavada pela lua.
a faxina do xamã
língua do sol,
língua do sol no ventre.
espírito sereno, viajante.
a faxina do xamã, o jantar
pronto, comida fresca,
folha dos sonhos.
a faxina do xamã
não há mais doentes
dentes tintos de vinho
dos totens, coração
mordido.
a faxina do xamã
a aurora, o poente
água do rio corrente
alegria, entusiasmo
a lebre diz: entre.
a faxina do xamã
a faxina do xamã
luz que rodopia
escuridão sombra
alma da coruja atenta
a faxina do xamã
garganta mantra
a faxina do xamã
olhos limpos, pele
lavada pela lua.
a faxina do xamã
língua do sol,
língua do sol no ventre.
espírito sereno, viajante.
a faxina do xamã, o jantar
pronto, comida fresca,
folha dos sonhos.
a faxina do xamã
não há mais doentes
dentes tintos de vinho
dos totens, coração
mordido.
a faxina do xamã
a aurora, o poente
água do rio corrente
alegria, entusiasmo
a lebre diz: entre.
no sanitário do sanatório
anônimo e anêmico,
o ânimo do homem
biônico se restabelece
ao tocar fogo nos rolos
de papel higiênico.
bombeiro afastado
por piromania, não perdi
a mira.
todo dia desafio
o sonho velho
e mijo no espelho.
as chamas
me contam segredos,
papo solto nos saltos.
só depois a urina
no fogo, a fumaça.
cachorro, alma
cínica sem mordaça.
o ânimo do homem
biônico se restabelece
ao tocar fogo nos rolos
de papel higiênico.
bombeiro afastado
por piromania, não perdi
a mira.
todo dia desafio
o sonho velho
e mijo no espelho.
as chamas
me contam segredos,
papo solto nos saltos.
só depois a urina
no fogo, a fumaça.
cachorro, alma
cínica sem mordaça.
terça-feira, 11 de março de 2014
esta cidade atropela
ninguém pelado:
vestem os ferros
de seus carros.
um poeta olha
para os dois lados
e atravessa para molhar
a língua na zona escura da lua.
sempre atropelado,
nunca lido.
não duvido,
sua calma subiu aos céus.
homem lento, passeia
com a tartaruga pelo vento.
vestem os ferros
de seus carros.
um poeta olha
para os dois lados
e atravessa para molhar
a língua na zona escura da lua.
sempre atropelado,
nunca lido.
não duvido,
sua calma subiu aos céus.
homem lento, passeia
com a tartaruga pelo vento.
domingo, 9 de março de 2014
poema tirado da notícia da morte de leopoldo maría panero
loucura, sombra
onde germina
grão da voz doce
e terrível.
ternura insuportável
da menina tagarelando
sobre abismos.
tesoura vermelha,
imaginação sem contornos.
dragão saudando poemas
do manicômio de mondragón.
caprichosa perambulação,
vespas e papoulas circulando
no sangue dos gigantes cegos.
onde germina
grão da voz doce
e terrível.
ternura insuportável
da menina tagarelando
sobre abismos.
tesoura vermelha,
imaginação sem contornos.
dragão saudando poemas
do manicômio de mondragón.
caprichosa perambulação,
vespas e papoulas circulando
no sangue dos gigantes cegos.
animal não tem nome
milhões de caminhos
para o batuque.
alma & sopro.
som das respirações,
saberes que sondam
e sonham as mortes.
...
não há
estatísticas
sobre o labirinto.
para o batuque.
alma & sopro.
som das respirações,
saberes que sondam
e sonham as mortes.
...
não há
estatísticas
sobre o labirinto.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
pirro
não fazer coro
ao riso e ao choro.
deitado no barco:
observar a careta
da anta, qualquer
semblante: feito
por nuvens,
um desenho.
uma tempestade
agita o mar:
paz no corpo
& na alma:
o porco
tem calma.
ao riso e ao choro.
deitado no barco:
observar a careta
da anta, qualquer
semblante: feito
por nuvens,
um desenho.
uma tempestade
agita o mar:
paz no corpo
& na alma:
o porco
tem calma.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
satwa
tudo respira, a pilha
rayovac, lanternas
e automóveis
de pedra.
apesar do terror,
a lua sopra
as marés.
animais insistem:
movimento do vento
irrigando almas
sobre o asfalto.
a fogueira ainda fala.
rayovac, lanternas
e automóveis
de pedra.
apesar do terror,
a lua sopra
as marés.
animais insistem:
movimento do vento
irrigando almas
sobre o asfalto.
a fogueira ainda fala.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
domingo no parque industrial
temos lanches telefônicos,
urnas funerárias eletrônicas.
os soldadinhos de chumbo
lambem brilhantes botas de couro
e odeiam bailarinas e odeiam bailarinas.
urnas funerárias eletrônicas.
os soldadinhos de chumbo
lambem brilhantes botas de couro
e odeiam bailarinas e odeiam bailarinas.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
satori da pesada
depois do êxtase, o detetive
axel foley lava a roupa suja.
uma gargalhada, tudo está
como está: poeira e água.
música quente embalando
o coração do malandro
que varre o pátio.
axel foley lava a roupa suja.
uma gargalhada, tudo está
como está: poeira e água.
música quente embalando
o coração do malandro
que varre o pátio.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
paisagem com fantasmas e laranjas
talvez jamaica, espírito confortável
do coelho gordo chupando mangas.
ska soprando no radinho de pilha
esquecido sobre o balanço da árvore.
pablo e sua escaleta, deusas
descansando na sombra generosa.
fumaça dos dias refrescantes, água
das palavras delicadas e gentis.
do coelho gordo chupando mangas.
ska soprando no radinho de pilha
esquecido sobre o balanço da árvore.
pablo e sua escaleta, deusas
descansando na sombra generosa.
fumaça dos dias refrescantes, água
das palavras delicadas e gentis.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
bilhete para leopoldo
dos favores que prometi,
te devo a loucura.
bêbado de vida
e não de morte,
um pássaro.
nunca sabemos
o que diz o céu.
há vinho suficiente
nos lábios da mulher que ri.
te devo a loucura.
bêbado de vida
e não de morte,
um pássaro.
nunca sabemos
o que diz o céu.
há vinho suficiente
nos lábios da mulher que ri.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
sábado, 18 de janeiro de 2014
sábado, 21 de dezembro de 2013
linha escura no espectro solar
relembrando o futuro, nove
garçons comentam sobre
os cães latindo & o anjo
da morte rondando a cidade.
vermes, vírus, vassouras
passeando na cabeça
dos advogados batedores
de prego e suas pragas.
máquina do fluxo, luxo
do corpo em obras, dobras
do coração sideral roncando
entre os motores e as macas.
garçons comentam sobre
os cães latindo & o anjo
da morte rondando a cidade.
vermes, vírus, vassouras
passeando na cabeça
dos advogados batedores
de prego e suas pragas.
máquina do fluxo, luxo
do corpo em obras, dobras
do coração sideral roncando
entre os motores e as macas.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
domingo, 8 de dezembro de 2013
o tempo também
tem joelhos
doloridos.
telhados verdes
onde deitamos
para compreender
o silêncio da lua.
televisões eternamente
fora do ar, mulheres & ilhas
de perfumes brutais.
espíritos molhados
na saliva das jovens deusas.
curvas e mistérios, tempestades
de sons que invadem a caixa preta
do crânio & seus sonhos mais secretos.
tem joelhos
doloridos.
telhados verdes
onde deitamos
para compreender
o silêncio da lua.
televisões eternamente
fora do ar, mulheres & ilhas
de perfumes brutais.
espíritos molhados
na saliva das jovens deusas.
curvas e mistérios, tempestades
de sons que invadem a caixa preta
do crânio & seus sonhos mais secretos.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
papeando com pasolini
descanso todo dia
e à noite perambulo
como um bacurau
catando insetos.
uma sugestão:
santificada seja
a escuridão.
respondo aos olhos
estranhos tranquilamente.
contemplo minha abolição
com a coragem sutil de um sábio.
aparência de raiva, estes são versos
de atenção amorosa e paciente.
jovens e velhos autoritários
são formas da tristeza mais cruel.
outra vez como um pássaro:
tudo vejo, voando.
mente serena, levo no coração
a consciência que amanhece.
e à noite perambulo
como um bacurau
catando insetos.
uma sugestão:
santificada seja
a escuridão.
respondo aos olhos
estranhos tranquilamente.
contemplo minha abolição
com a coragem sutil de um sábio.
aparência de raiva, estes são versos
de atenção amorosa e paciente.
jovens e velhos autoritários
são formas da tristeza mais cruel.
outra vez como um pássaro:
tudo vejo, voando.
mente serena, levo no coração
a consciência que amanhece.
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