nós
nus
nas noites
no interior
dos corpos
no copo
das mentes
na cama
que está
no chão
no ciclo do são joão
no fôlego do sim
e no coração-cabeça.
não esqueça:
a noite e o dia:
juntos na festa, na caverna, no lago e na relva:
no ninho - caminho de palavras e línguas:
- braços e pernas:
- ossos e almas:
inventamos o território
de uma alegria e de um sorriso:
- não cessa.
quarta-feira, 21 de março de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
há um imenso trabalho
para a boca vegetal da loucura:
comboio de corças incendiadas
deusas cuspindo gafanhotos
sobre os dorsos dos tigres
imigrante chinês
traduzindo poemas anarquistas italianos
bolas de gude
feitas de pequenos sóis
palhaço ancestral
revirando as cinzas da fogueira
de ossos
gnu guardando gravetos
na gaveta do inverno.
para a boca vegetal da loucura:
comboio de corças incendiadas
deusas cuspindo gafanhotos
sobre os dorsos dos tigres
imigrante chinês
traduzindo poemas anarquistas italianos
bolas de gude
feitas de pequenos sóis
palhaço ancestral
revirando as cinzas da fogueira
de ossos
gnu guardando gravetos
na gaveta do inverno.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Visão da Gaveta Enferrujada do Reino da Pedra Burocrática
(...) e alguns sabem que não é preciso procurar muito tempo para encontrar, dentro da Gaveta Enferrujada, entre os bonecos dos loucos, dos bêbados e das atrizes, um carimbador patético. Ele facilmente se torna ridículo e se embriaga com qualquer porção efêmera de. Você pode notar tranquilamente que ele sofre da síndrome do pequeno poder. Como um cabo setenta borra-botas, fica mergulhado em sua jornada histérica de autoridade: com seu carimbo, despacha porções extras de amendoins para os bons-moços listados na planilha de Normas Técnicas e Bom Comportamento da Reunião da Comissão Setorial de Planejamento e Distribuição de Comidas com Flavorizantes.
O carimbador patético é um pobre-diabo, hipnotizado pela repetição robótica de seus gestos esvaziados de qualquer sentido, qualquer bom senso. Ele põe em movimento uma farsa deliberada: ao carimbar as fichas dos participantes da reunião contemplados com as porções extras de amendoins, finge para si mesmo que seus gestos são importantes e organizam os desordenamentos do mundo. Aos ajustados, amendoins.
Os bêbados, os loucos, as atrizes não recebem amendoins extras, entregam os amendoins regulares e se divertem com a cena toda: como um bando de galinhas no confinamento, os ajustados bicam os grãos, com um riso de felicidade comprada no supermercado, corredor nove. Para o carimbador patético, e apenas para ele, isto soa como um juízo final, como um julgamento no qual ele é senhor. Mesmo sem ter idéia alguma de como trazer vida e mágica para seu dia estéril, entre amendoins. O carimbador patético nunca viu o amendoim na terra, uma plantação. Apenas repete os gestos para os quais finge ter vocação: confere os pacotes de porções extras, confere os cadastros com os históricos dos participantes. E carimba, carimba, carimba.
Ficou lambendo as solas dos sapatos do poder, considera que alcançou um excelente posto de trabalho, não precisa fazer mais piadas sem graça enquanto enche um copo com água, tem direito às porções extras de amendoins e ainda usa seu carimbo durante toda a jornada de trabalho – mas também fora dela. Afinal, qual a graça de ser um carimbador patético apenas na Gaveta Enferrujada do Reino da Pedra Burocrática? O carimbador não conversa com os loucos e bêbados e não trepa com as atrizes, mas sente-se vivo enquanto toca o carimbo na almofada de tinta e depois desce com força sobre as fichas cadastrais. Os idiotas herdarão os amendoins: o carimbador patético vive para cumprir isto. Os loucos, as atrizes e os bêbados dançam durante dia, tarde e noite, vivos, com uivos. O carimbador patético come amendoins.
O carimbador patético é um pobre-diabo, hipnotizado pela repetição robótica de seus gestos esvaziados de qualquer sentido, qualquer bom senso. Ele põe em movimento uma farsa deliberada: ao carimbar as fichas dos participantes da reunião contemplados com as porções extras de amendoins, finge para si mesmo que seus gestos são importantes e organizam os desordenamentos do mundo. Aos ajustados, amendoins.
Os bêbados, os loucos, as atrizes não recebem amendoins extras, entregam os amendoins regulares e se divertem com a cena toda: como um bando de galinhas no confinamento, os ajustados bicam os grãos, com um riso de felicidade comprada no supermercado, corredor nove. Para o carimbador patético, e apenas para ele, isto soa como um juízo final, como um julgamento no qual ele é senhor. Mesmo sem ter idéia alguma de como trazer vida e mágica para seu dia estéril, entre amendoins. O carimbador patético nunca viu o amendoim na terra, uma plantação. Apenas repete os gestos para os quais finge ter vocação: confere os pacotes de porções extras, confere os cadastros com os históricos dos participantes. E carimba, carimba, carimba.
Ficou lambendo as solas dos sapatos do poder, considera que alcançou um excelente posto de trabalho, não precisa fazer mais piadas sem graça enquanto enche um copo com água, tem direito às porções extras de amendoins e ainda usa seu carimbo durante toda a jornada de trabalho – mas também fora dela. Afinal, qual a graça de ser um carimbador patético apenas na Gaveta Enferrujada do Reino da Pedra Burocrática? O carimbador não conversa com os loucos e bêbados e não trepa com as atrizes, mas sente-se vivo enquanto toca o carimbo na almofada de tinta e depois desce com força sobre as fichas cadastrais. Os idiotas herdarão os amendoins: o carimbador patético vive para cumprir isto. Os loucos, as atrizes e os bêbados dançam durante dia, tarde e noite, vivos, com uivos. O carimbador patético come amendoins.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Osso ruído
ouvir o rumor
de espíritos (tutano
inundando os lagos).
roer o ouvido
de vidro (faca
cravando na cova
do morto-vivo).
reger o umbigo
do infinito (mosca
voando sobre abismo).
umedecer as garras
do mito (máscara
fumando as visões
do esquecido).segunda-feira, 26 de setembro de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
eu vi a árvore
cujas raízes mergulham no inferno
e os galhos alcançam o céu
eu li o voo dos pássaros
e o incêndio no véu da ilusão
eu ri do exército de idiotas
batendo boca com o abismo
o tambor é um tigre
mordendo as costelas do tempo
eu vi meu esqueleto atravessar
a membrana verde do espaço
eu li as canções do vento
nas costas da deusa
eu ri da tempestade ancestral
e do caroço da verdade
o tambor é um cavalo sem sede
eu vi a garota ruiva
triturada pela indústria
eu li as tensões e fadigas
nos músculos dos primatas
eu ri do desejo pelo mar
de coisas e coisas e coisas
o tambor é um gafanhoto
roendo a mente
eu vi o dragão lambendo
o corpo nu da cidade
eu li os corações acelerados
da multidão
eu ri dos bípedes trocando
energia vital por cimento e solidão
o tambor é um macaco magnético
perambulando na noite primordial.
cujas raízes mergulham no inferno
e os galhos alcançam o céu
eu li o voo dos pássaros
e o incêndio no véu da ilusão
eu ri do exército de idiotas
batendo boca com o abismo
o tambor é um tigre
mordendo as costelas do tempo
eu vi meu esqueleto atravessar
a membrana verde do espaço
eu li as canções do vento
nas costas da deusa
eu ri da tempestade ancestral
e do caroço da verdade
o tambor é um cavalo sem sede
eu vi a garota ruiva
triturada pela indústria
eu li as tensões e fadigas
nos músculos dos primatas
eu ri do desejo pelo mar
de coisas e coisas e coisas
o tambor é um gafanhoto
roendo a mente
eu vi o dragão lambendo
o corpo nu da cidade
eu li os corações acelerados
da multidão
eu ri dos bípedes trocando
energia vital por cimento e solidão
o tambor é um macaco magnético
perambulando na noite primordial.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
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