você quer
sair comigo?
tomo até
um café
contigo
se você vier.
sei. e você de se encostar em mim e abrir o seu sorriso e não pára de falar contra o sol e
ao telefone. tudo desliza lentamente sobre você e eu. tão lento como nosso tempo. como
nossas mãos. o pensamento que nos atravessa. é calmo. porém extremo. eu vôo. e você se sente
como uma grande montanha e se assusta antes quando eu caio. eu sempre caio primeiro e
procuro ao longe as chamas que me atraíram. eu espero achar alguém esta noite pra procurar
comigo. nem que seja lentamente. como deve ser lento. eu procuro. nós procuramos. o que se
faz? lento. lento lento e já vai longe. e me diz. o sul desse tempo dobrando a esquina e
desamarrando nossos sapatos. eu posso ver seus movimentos. mesmo à noite. e eu ainda sinto o
teu cheiro. esse perfume novo, essa imagem. essa voz já está lenta. como aquelas que a gente
escuta só na mente, com os olhos fechados. você sabe? mas sempre tem uma música de fundo.
calma. lenta. como a chuva. esse tempo. esse breve silêncio. a música fala de nós e de como
a vida é extrema e delicada como a vida acaba em nossos rostos e como nossas canções podem
ser tristes e em como nossos antebraços estão abertos. nós temos o sol. quem caminha conosco
descobre esse perfume esse horizonte essa fresta esse rio dormente essa gente adormecida
como a noite. tudo é silêncio e esse sopro é só o som sem voz. o grão do sentido. o mínimo.
nossa menor comunicação. esses agudos. esse doce agudo e esses graves. principalmente esses
graves. toda a nossa boca. e as noites. noites. diavirá. tenho uma teoria sobre a chegada do
dia. sobre a aurora, sobre as ruas, sobre as luzes, as cores, os cheiros. eu acredito. eu
acredito em teorias que invento. eu peço o que me agrada mas eu também estou lá. eu vejo a
segunda face. esse quadro eu não interrompo com os olhos. como permanece. aceso e detrás da
coluna de fogo. é como aquilo que se esconde entre um sonho e outro. fica entre o fogo e o vôo.
como uma semente em sua vida interior. como a segunda face. eu desejo a segunda graça. como
se eu fosse voar por sobre toda gente que conhece e como se eu não parasse na dor. você
acredita? e vem? eu tomo um drink com você. a gente toca fogo nessa noite. eu posso te ver
em casa. dessa vez. como um fogo que refaz a noite. como um bar sonoro. é dentro de teu
corpo que eu durmo. essa estrada. o zen contra a chuva. eu amo as coisas. as coisas não
permanecem. e ninguém vê. eu ouço meus sorrisos pois não estou perto. as coisas boas são
como uma grande fábula. essa história. a história desta noite. mas eu não sei dançar. Você me
leva onde quer assim, eu sei. sei disso. finjo também. eu continuo com os meus pés suspensos.
isso você não vê mas eu posso contar num dia de domingo. eu descubro algumas flores em tua
pele e escuto esse poema escrito em teu corpo. teus cabelos são os sonhos desta noite. são
negros. e dançam. eles caem. dançam entre os meus dedos. acima das horas, como se fossem
suicidas ou pássaros. eles caminham sobre os sorrisos que te distribuo. as coisas falam de
mim e eu me comovo. você está linda está noite. vamos cantar uma canção? me acompanha. eu
também vou escrever a letra. me acompanha. essa esquina o século a rebelião e os processos
do tempo o vento que não se move as nove noites da praia e os ônibus que descem leves pelo
céu. é disso que eu falo. em silêncio. mas eu imagino que você percebe. as minhas mãos são
um oceano de segredos e linguagens. você no céu do norte. eu tenho um longo tempo longe dos
teus passos. eu não caminho para o azul. mas sou como uma onda que se arrebenta contra os
muros das vanguardas. essa liberdade eu carrego como um raio na boca e outro nos olhos. você
deve ter visto e se aproximado. você parece com esse inverno. ou como o cinza aceso das
emoções. é preciso estar perto. como uma fênix. ou se espalhando pelo chão desse céu do
norte. eu caminho. nunca estou perto o suficiente. mas a véspera é sempre alegre. eu sempre
estou. eu me demoro. eu crio o som dessa passagem. essa vértebra. escuta. esquece os olhos. o
cheiro. escuta. na derme, escuta. viu? essa memória da pele acende. basta encostar. é como o
acaso. basta ter os antebraços abertos, os braços abertos. é como um afago. como um útero. já
imaginou uma coisa como o útero? eu queria dormir com você esta noite. eu escrevo histórias
com os nomes que estão perto de mim. o teu. o teu tem histórias. você tem idéia? não. não sabe.
mas dia desses tu lê. pode ter sido agora. o que tu acha? seria legal se tu soubesse o nome da
música. diz. só tem uma resposta. diz. então? isso. é tempo de estar junto de mim. me arrodear
com seus olhos, dobrar meus sonhos e cubri-los com a minha mente. é tempo de estar comigo,
correndo pela noite. como num dia de chuva ou numa floresta imaginada. como as ondas
curtas. como podem ser? é tempo de voar livre e nu. é, já disse. tempo de estar comigo. você
consegue me entender. eu não sei falar de outra forma. eu só mudo os tons. e eu gosto de verde.
e de gaita. ah, claro, eu gosto de te ver. e também de escrever e mudar os tons. de sentar ao teu
lado e mudar os tons, as peles, os tempos. é como revirar a terra. como cavar o dia e levantar
uma árvore com os dedos. é tempo de estar junto de mim. recolhe em meus olhos teu cansaço e
teu medo. derruba teu corpo contra meus braços. é tempo de estar comigo. você escuta essa
canção e fuma comigo. estamos nesse mesmo oceano. eu te abraço. é tempo. umbeijo. começa
outra música. eu deixo os teu olhos me dizerem uma teoria para o dia de ontem. e outra sobre os
dias que seguem. mesmo aqueles de chuva. os dias sem-tempo-certo. me conta sobre os teus
ossos. e sobre tua infância. e sobre todas as vezes em que você percebeu que era você. assim.
como? o eu. o teu. isso. esse outro de mim. esse tu. conta. é bonito de se ouvir a tempestade
cobrindo os lírios. correm e dançam como se festejassem o dia do rei ou a grande colheita. como
um deus numa ilha. só. partindo de um lado ao outro da liberdade. sem vigias. o sumiço do outro.
o silêncio que é pra mim. a noite vem vindo como se o dia se fosse. eu vejo o fogo crescendo sobre
os montes. eu me vou. num giro. ou no rio. e você, vê o dia indo embora? eu vou caminhar por aí.
você vem? me acompanha. segue a música. é como um pássaro surfar. é simples. você pode até
ver. eu não duvido. é rara. é simples me seguir. eu sempre estou aqui. e caminho por lá. você
vem.
ai tupi or not. eu sou um garoto. até amanhã. quero gritos, o sexo esquisito contra a fé no amanhã. eu não me espero até amanhã. o que faço, como volta, o que faço, como volta. o garoto gordo me espera do outro lado com seus dentes abertos, loucos, seus dentes, sua raiva. as pernas falam, passam sobre o tempo. ou dançam. as pernas dançam. um terror. as pernas dançam. mas eu grito. eu grito. acredito nos ossos. só sei que os olhos sabem do que se esconde. se estiver sozinho eu não falo nomes. o a. o aaaa. o aa aa aaa a a. eu preciso de mais tempo. você se recompõe com os seus amigos. é possuído que vou loonge. se escurece eu quero tudo. a garganta. o túmulo. a queda. o escárnio. o que foge. o que brilha. o que diz que eu não passo. que eu não prendo. que eu não prenso as coisas. que se fazem contra o tédio. eu não sei do tédio. tudo gira. tudo gira. quando as palavras serão ossos. pergunta. é preciso criarmos o dissenso. serei uma maça podre. a margem. podemos mudar de assunto? a pergunta. o sinal. o sinal que fala da pergunta. esse silêncio. exatamente. o que se faz com o ódio. o que se faz. eu me perco. os dedos. o que escapa. aperto esc. esc. esc. esc. correr é uma coisa de não se desaprender. o que se faz, corre. eu sei. o susto que tomo eu tomo. o que escapa. como um assassino. o que se diz das palavras. o que as palavras. se me seguem como um ramo. como o sol. como os olhos. se movem com o que se quebra. eu preciso de rochas. como o que se quebra e desfaz. virá. contra a palavra. o que parte. o que é um sim. é tudo muito real. eu não aprendo a só perceber. se encolher num vôo é quase voltar pra parar. o salto. o susto. o sussuro. é como brincamos de rir. e ficar louco. ficar louco é tão absurdo. absurdo e comum. o que faz sorrir quando escrevo. o que não escrevo e fica só até onde vou sorrir. fica comigo. esta noite ela fica comigo. a palavra. a segurança da boca contra o abismo de existir. fora. no espaço no e s s s pa aaaa a a ço. o que voa. fora. dentro do longe. habitar o longe. o que se esconde no horizonte da boca. digo sim. falo das coisas que se vê no céu. tudo é real. às vezes até o meu pensamento. como um grande sim. destava. eu páro. posso por abaixo tudo que digo. o que sobra. o que fica na senda, o que o incêndio fabrica. segue. o que é caminho. eu tenho medo das ruas. não tenho medo das ruas. eu tenho medo das ruas como eu não tenho medo das ruas. a dor. o que penetra. fere. faz. fica. fixa. foice. vértice. desenho. mão. tudo a mão alcança. tudo que não pensa. isso é muito feio. isso aí. isso. você já saiu com isso. eu corro. eu corro. eu invento e toco fogo. eu destruo contra meus braços. eu distraio o tempo. invento sombra e pernas. você vê tudo que está atrás de você. geração. não tenho geração. eu estou só. e é tempo de estar só. eu me mexo. deslizo e caio no ar. passo as férias. dentro. mergulho. sou todo política. investigo. como um trilho. eu gosto de você como um trilho que sempre está lá. eu vou passar por aí. pisarei por aí. neles. neles. neles. eu durmo depois de você e sei do que fala. o sono. essa guitarra líquida. essa vértebra. o que como. que costuma cair. criar. cia. o cio. o ócio e a revolução. o que a boca alcança. só acredito em revoluções que alcanço com a boca. estou quente. e nas ruas. estou quente e não descanso nas sombras. passo férias na coluna. me dispenso. o poente. o presente é só um passo. um além de si. algo assim. o que cresce. o presente é o caroço. o grão. o que cai. a a queda. do alto. e rápido. como se o rio descesse sobre tuas colunas e não te despedassassem mas só te levassem por aí. uma viagem. o que se diz pra domingo. eu corro pela cidade pra comprar flores. eu não compro flores à tarde. a noite tem coxas e a pele está lisa como o céu. esse azul. azul estúpido. sem direção. um azul sem direção. é exatamente isso que não gosto. um azul sem direção.
e perco horas com o silêncio.
e penso que sonhar é pouco.
como estender as asas para ir se deitar no horizonte?
acho que esqueci o rosto de minha infância.
(as fotografias espalhadas sobre a mesa não falam de mim
suas luzes acusam outro universo
imagino que se trate de antimatéria)
as longas noites como abismo passam se não pouso os pés.
(que disse? me reviro sobre a cama e mergulho no outro de mim)
vou deixar as palavras entre os lírios para que o sol as alimente
dentro da alma que irei inventar agora.
Bum!
não me esperem (eu digo isso pra mim).
--- correr, correr, correr
vai, menino!
é preciso perder o medo do acaso
do sorriso e da garganta do futuro
(entro em espelhos, meus olhos se tingem de segredos
comungados por sussurros. desejo que me escutem)
pular para (...)
# estar-no-mundo
que tu acenda o verde de todos o séculos
que a tua cabeça tenha ninho de coração
que tu aprenda e desaprenda por prazer infantil
que tu vá e volte
que tu seja
que tu alimente um pássaro perdido
que tu alimente um pássaro achado
que tu fale com crianças se levantando até elas
que os velhinhos continuem sendo brilhos nos teus olhos
que buda seja uma flor em tuas mãos
que tu invente o dia
que a lembrança de tudo seja boa
que o sorriso seja um doce, um brigadeiro
que a palavra acerte e erre
que a noite também seja tua amiga
que tu não olhe o horizonte com indiferença
que tu saiba das plantas, ainda mais
que tu sinta das plantas, ainda mais
que tu seja junto com os outros animais (inclusive comigo)
que tu não adiante o tempo - só o entorte vez por outra
que tu ouça o rio da felicidade - mas saiba mergulhar e não morrer afogado
que tu permaneça voando por todo tempo
que tu acompanhe a partida das velas
que tu pise nas nuvens e dance em cima dos muros
que tu se reinvente, sempre
que tu esteja em paz
que tuas mãos sejam ágeis para amar e tardas pra odiar
que tu não dê a outra face, mas saiba dar uma gargalhada
que tu acolha o pequeno príncipe no teu coração
que nas tuas costas nenhum deus se atrapalhe (nelas só o vento)
que tu dê as mãos a muitos deuses e a muitos humanos
que tu aprenda com estranhos sobre a possibilidade e sobre o acaso
que tu tome sorvete só por que é frio e engraçado
que até chegue a encostar o sorvete na testa
que pedro seja mais velho que tu
que tu vire água
que tu seja um lago, à tarde e pela manhã, uma cachoeira
que seja tudo - até o brega
que tu perca o medo do brega e do trivial
que tu se suje de cotidiano - mas cotidiano sublime
que tu enxergue a ponte que liga os seres humanos
que tu me perdoe
que tu esteja lá
que tu não olhe o sol com tanto raiva ou tanta coragem
que coloque as asas de cera
que tu tire as asas de cera
que tu escreva e não escreva
que tu vá
que tu se enrole de futuro - mas viva pra agora
que tu se despeça dos relógios
que tu se atrase
que tu saiba dormir e saiba acordar
que tu goste de beber água
que tu goste
que tu aprenda a fazer comidas boas
que tu ressuscite o afeto de todos
que tu seja tu
e que, repito, tu vá
aí seremos abençoados
pela noite e pelo dia
por todos os pares
por todas as faces
que tu caminhe sem pressa, mas sem demora
e que tu carregue papel e caneta - pra me explicar o mundo,
por teus olhos, por teu cinema
e que tu adormeça na vida e acorde na vida
e que tu OM
OM
OM
OM
(...)
Segundo a crença mais comum, divulgada pelo livro lunar, os seibás eram crianças que caíram do céu, provocando histeria nas pernas dos deuses mais espantados. A queda fez com que suas palavras ganhassem um doce vento azul, o mesmo do estômago da origem. Desde então, fala-se que os seibás desinventam a memória que o sol cria no corpo. Usam profecias de acordo os espíritos de ontem, mas olham para o futuro como se o próprio-fosse quando. Para as mentes sem delírio, os seibás eram apenas visões rarefeitas na parede do século ou flores que as mãos não sabem desenhar. Raramente se atinge um consenso sobre os registros deixados pelas coletividades seibás. Os animais se esforçam por. Os seibás caminham no rio, diz o Cristo. À sombra constroem, diz o Buda. Krishna geralmente fica em silêncio rindo ou dançando na lua. Do canto da cabeça, os seibás.
Caminho com os pés suspensos e sem controle. Às vezes eu desmaio nos trópicos e quero ver a pele mansa da desordem. Estou certo em fugir pelo rio e eu quero as flores de tua consciência, mas eu sei do riso do céu agora e deus não tem pedras nos bolsos. Bebo água e ouço o rádio. Eu durmo com o desenho de um fio que percorre minha cabeça. Você sabe fingir. O orgasmo dos olhos se revirando entre as janelas me aponta a saída do sol e o quarto das horas fica lotado com teu adeus. Nunca sairei dessa cena, ficarei me movendo como uma mão sobre a navalha.
Cometas atravessam meu cérebro e as horas me consomem como o fogo de tua pele. Uma multidão destrói meu jardim e eu invento um raio para me refugiar. A tua canção faz sombra e meus ombros te carregam por aí. A lua morta é uma pele sobre o oceano e você me entende. Eu escrevo sobre pássaros e mulheres e o tumulto me desperta com uma bebida velha. O tempo fica preso no olho do cachorro que atravessa a rua sem medo. Essa calma me atinge e tua boca revira meus ossos. Eu não esqueço a voz das esquinas e os sapatos sabem que são insignificantes.
eu quero o verde de todos séculos.
tragam rosa
colher na boca e outros poemas
o silêncio dos minerais azuis
e o abraço cego
do poeta aproximado
acendam um lampião
e risquem a minha cabeça
no chão da linguagem iluminada
bebam o vinho sangue
essa palavra doce
que escorre cedo
pela foice da lembrança
durmam longe da noite
na véspera do abismo
eu ficarei
no incêndio