segunda-feira, 26 de setembro de 2011

a cabeça encostada
na árvore.
meu reino
por um punhado de alucinações.
garotas nuas distribuem panfletos
anarquistas. uma multidão
canta as novidades lunares.

eu andarei sobre o rio
congelado da memória
atravessando a noite e o dia.

entregarão meu cadáver
aos abutres do himalaia.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

eu vi a árvore
cujas raízes mergulham no inferno
e os galhos alcançam o céu

eu li o voo dos pássaros
e o incêndio no véu da ilusão

eu ri do exército de idiotas
batendo boca com o abismo

o tambor é um tigre
mordendo as costelas do tempo

eu vi meu esqueleto atravessar
a membrana verde do espaço

eu li as canções do vento
nas costas da deusa

eu ri da tempestade ancestral
e do caroço da verdade

o tambor é um cavalo sem sede

eu vi a garota ruiva
triturada pela indústria

eu li as tensões e fadigas
nos músculos dos primatas

eu ri do desejo pelo mar
de coisas e coisas e coisas

o tambor é um gafanhoto
roendo a mente

eu vi o dragão lambendo
o corpo nu da cidade

eu li os corações acelerados
da multidão

eu ri dos bípedes trocando
energia vital por cimento e solidão

o tambor é um macaco magnético
perambulando na noite primordial.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

derrubar estrelas
sobre nossa aldeia

descobrir idéias
numa fruta que apodrece

dissolver a imagem
deste ego breve

descascar as sombras
que envolvem a pele

duvidar do sol.
como um corpo
deitando na lama:
cama calma
para a alma em chamas.

como um corvo
desviando da sombra.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

mordendo:

as pernas do medo
os olhos da vida
as uvas do tempo.
uma navalha, uma pupila
um gole de vinho no escuro

um corpo deitado
sobre cacos de vidro:

a respiração do futuro.
procurar uma montanha
que manteha acesa
minha lua no peito
e que ponha um segredo
sob as unhas do vento.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

cachorros e antenas digitais
um gole de vinho
perto do abismo

a noite temperada
e o incêndio ancestral
(a boca da terra)

palavras & desordem:
garimpo da alma

a Mulher Que Ri
e um babuíno num colchão
na casa da árvore.
um mosquito
engole o infinito

o sol espalha brasas
nos telhados das casas

calço os sapatos
costurados pelos ratos

a chuva renova
as flores da cova

há um leão
no ventre do grão.
deitado
junto das vacas verdes
com os dentes
mordendo a alma

árvores
nos ensinam canções

e nossos corações e o sonho
mugem dentro da sombra.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

sonho com sóis
saindo da selva

saúdo as sombras
serenas do sexo

sopro as seivas
secretas do sonho

sementes sangrando
séculos de saliva

e um símio com sabre
seccionando o sublime.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

a mente
é uma asa

roendo o espaço
azul

cavalos
comendo a lua

a água
desaba
sobre as pernas
do tempo

hipnotizando
fêmeas ancestrais.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

asas pequenas.
um texugo colhendo
manhãs
na fumaça das nuvens.

ilha do voo
tempo de água e lua
na garganta
do pássaro.

cem anos
fogueira & pupila

formigas cantam
nas dobras do vento

o ventre.

desenhos
e chuva (rio calmo da respiração).

peixes escrevem
as frutas vermelhas
na vértebra do sono.

ruídos e canções
de baleias
sobem em meus olhos.

sono
ninho ancestral das visões.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

o poema se faz
com o barulho dos ossos.

a poesia é ruído
distúrbio, transgressão
(os sons do corpo mamífero).

o poema cria
o abismo com violinos
e a vertigem
(as alucinações caóticas
do deserto do real).

a poesia é o incêndio
do encontro e o acaso:
olhos do nômade
na paisagem de animais.

a poesia é o vinho
da visão.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

em memória de rafael banana

a grande boca
do incompreensível
mordeu meu amigo
no peito

e me deixou aqui
no abismo.

sábado, 5 de junho de 2010

os dedos
inventando
a respiração
do fruto

tocando
fogo na noite

ouvindo
as palavras
que a terra
tatua
no corpo
do entusiasmo

doidos cometas
das visões
saltando nas pupilas
e formigas
comendo as passagens
da lua.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

noo telum

vaniali vaniali
tinub olori

golub golub

tivuna fuli
pice donula
ine ine ine
devimo amba
ponure ponure
lit teg teg teg

blub blub nut

nia zast

tulima tulima
rung rung peri tialo
totemoc totemoc

ishi nai zaden
ishi nai zaden

gampera
golivu nobi.

quinta-feira, 22 de abril de 2010