a tarde de marduk
com o leopardo.
a passagem de volta
da mão de kishar.
a audácia de javalis
com a cachaça.
a leitura do tao
da mímica.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
ridendo castigat mores
ah, coração, que engano.
não me diga que nada
arrebenta a hipocrisia
e o aço.
pois minha irmãzinha sorri,
sem briga, sem embaraço.
apronta as tintas e tonta
diz: palhaço.
não me diga que nada
arrebenta a hipocrisia
e o aço.
pois minha irmãzinha sorri,
sem briga, sem embaraço.
apronta as tintas e tonta
diz: palhaço.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
explosão nas trevas
clarão de afetos sábios,
grandes e pequenos lábios:
com mamífera no chão de casa.
brasa donde bebo, longo amor
que sinto. não nos falta pernas,
almas, tonéis de vinho tinto.
grandes e pequenos lábios:
com mamífera no chão de casa.
brasa donde bebo, longo amor
que sinto. não nos falta pernas,
almas, tonéis de vinho tinto.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
terça-feira, 21 de maio de 2013
os poemas de daniil kharms
quebraram a vidraça.
o poeta, com razão louca
e coração banguelo, soprou
orações para as hienas.
stalin & seu bigode
jogaram o poeta na prisão.
o bigode faminto de stalin,
ensopado de sangue, devorou
o poeta até a carcaça,
mas nunca encontrou
os sonhos e devaneios
que hoje dão passeios
pelos ares de moscou
e que as moscas,
como se bêbadas
de cachaça, fazendo
arruaça e com piruetas,
espalharam pelos planetas.
quebraram a vidraça.
o poeta, com razão louca
e coração banguelo, soprou
orações para as hienas.
stalin & seu bigode
jogaram o poeta na prisão.
o bigode faminto de stalin,
ensopado de sangue, devorou
o poeta até a carcaça,
mas nunca encontrou
os sonhos e devaneios
que hoje dão passeios
pelos ares de moscou
e que as moscas,
como se bêbadas
de cachaça, fazendo
arruaça e com piruetas,
espalharam pelos planetas.
ray charles chaplin
cego e mudo,
louco. pouco
a pouco, tudo
inundo, como
vagabundo
amoroso,
fervoroso
com música,
gesto, gozo.
louco. pouco
a pouco, tudo
inundo, como
vagabundo
amoroso,
fervoroso
com música,
gesto, gozo.
domingo, 19 de maio de 2013
o instante existe.
por que eu canto?
sou alegre, sou triste:
um pateta.
tenho febre, fobias,
não tenho neta.
alice me disse
para esquecer das palavras.
falou também da folia
e logo ficou muda, ficou
louca e beijou minha boca.
estive quieto, estive
agitado, alma vermelha
feito brasa.
alice com os olhos
me disse:
o silêncio é um colchão
no telhado de casa.
o instante gira
qual dervixe extasiado.
não conhece futuro, passado.
apenas inspira, respira.
não rumina o antes,
não mastiga o depois.
não dá nome aos bois,
nem relembra cervantes.
o instante grita, se agita
no peito, ilumina qualquer gruta.
o instante é uma fruta
que comemos com respeito,
sem medo.
o instante é um presente,
uma dádiva, um vagalume
que se enche de luz e escurece.
vê se não esquece:
o instante é mutante.
o lavador de pratos
nunca o vi trabalhar
sem assobios.
ria praticamente
de qualquer coisa,
principalmente
de pratos que caíam.
tinha medo de trovão,
não temia nenhum patrão.
sempre sincero
como sabão e água.
estava juntando
duzentos reais
para uma passagem
para o maranhão.
ontem me disse,
ouvi a história mudo:
gastou tudo com chocolates,
queijos e vinhos. foram nove
horas com a loira vizinha
que nada sabia de cozinha.
estranhas entranhas do acaso
uma pedra, uma hidra
um casulo, um casaco.
a flor, o cavalo, asas.
serpentes, pontes, pinturas.
um centauro, um sentinela
uma floresta, uma sombra.
um samba, um jambo
um mambo, uma manga.
monges, ninjas, poetas,
profetas, ciclistas, iogues.
bilhetes da deusa e do mendigo
no umbigo do ocaso.
hastes das ervas, desenhos
nas trevas das cavernas.
mandíbulas das nebulosas,
nuvens, insetos, patos, potes
de ouro perdidos nas íris
das multidões solitárias
e silenciosas.
amor & água
a dor ensina
um macaco cabeçudo.
o punho cerrado do cosmo
guarda um bom cascudo.
fiquei mudo, tive medo
de partir cedo
pela estrada de estrelas.
hoje rio, rio, rio.
o coração bate, late.
é um iate navegando
no sangue e no fogo.
riso franco, pupila amena,
aquele esquema:
não há problema
gigante no universo
se há peito aberto,
sem mágoa:
tudo flui,
pra lá e pra cá,
amor & água.
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