domingo, 20 de maio de 2007

e o cheiro do sol

cobre

de ouro

meus olhos.


e a órbita do breu

é breve

e escorre

por meus poros.

não ilumino a noite com

todos os fogos o fogo.


a cabeça pousa

numa pedra:

a rebelião.


esse silêncio

que resiste e

se aninha no

ventre:

a rebelião.


desrumo

atravessado

de inícios.


não.

atiro contra o céu

o peito aberto

o sangue a

gengiva e

todo medo

é sobre

os escombros que

caminho

toda ruína

é imagem.

domingo, 22 de abril de 2007

e me escondo em silêncio

pra florescer

além desta noite

serei a mágica de algum deus-menino

me universalizarei de máquina

assumindo o lirismo difícil das manhãs

(é o futuro – fechem os olhos)

a primavera me assusta

com seu perfume

inesperado e novo

minha alma não sapateia

eu preciso

abandonar o velho corpo

e tocar fogo em minha cabeça

para acordar

o século e atrair

os leopardos


Segundo a crença mais comum, divulgada pelo livro lunar, os seibás eram crianças que caíram do céu, provocando histeria nas pernas dos deuses mais espantados. A queda fez com que suas palavras ganhassem um doce vento azul, o mesmo do estômago da origem. Desde então, fala-se que os seibás desinventam a memória que o sol cria no corpo. Usam profecias de acordo os espíritos de ontem, mas olham para o futuro como se o próprio-fosse quando. Para as mentes sem delírio, os seibás eram apenas visões rarefeitas na parede do século ou flores que as mãos não sabem desenhar. Raramente se atinge um consenso sobre os registros deixados pelas coletividades seibás. Os animais se esforçam por. Os seibás caminham no rio, diz o Cristo. À sombra constroem, diz o Buda. Krishna geralmente fica em silêncio rindo ou dançando na lua. Do canto da cabeça, os seibás.


fico assim

de silêncio comigo mesmo

domingo, 4 de março de 2007


Caminho com os pés suspensos e sem controle. Às vezes eu desmaio nos trópicos e quero ver a pele mansa da desordem. Estou certo em fugir pelo rio e eu quero as flores de tua consciência, mas eu sei do riso do céu agora e deus não tem pedras nos bolsos. Bebo água e ouço o rádio. Eu durmo com o desenho de um fio que percorre minha cabeça. Você sabe fingir. O orgasmo dos olhos se revirando entre as janelas me aponta a saída do sol e o quarto das horas fica lotado com teu adeus. Nunca sairei dessa cena, ficarei me movendo como uma mão sobre a navalha.


Cometas atravessam meu cérebro e as horas me consomem como o fogo de tua pele. Uma multidão destrói meu jardim e eu invento um raio para me refugiar. A tua canção faz sombra e meus ombros te carregam por aí. A lua morta é uma pele sobre o oceano e você me entende. Eu escrevo sobre pássaros e mulheres e o tumulto me desperta com uma bebida velha. O tempo fica preso no olho do cachorro que atravessa a rua sem medo. Essa calma me atinge e tua boca revira meus ossos. Eu não esqueço a voz das esquinas e os sapatos sabem que são insignificantes.




eu quero o verde de todos séculos.

tragam rosa
colher na boca e outros poemas
o silêncio dos minerais azuis
e o abraço cego
do poeta aproximado

acendam um lampião
e risquem a minha cabeça
no chão da linguagem iluminada

bebam o vinho sangue
essa palavra doce
que escorre cedo
pela foice da lembrança

durmam longe da noite
na véspera do abismo

eu ficarei
no incêndio




tempestade
música de Satie
pela metade






estar nu
nu como um dente

estar coisa
cio S/A

estarestar

estar éter
quasar


eu sempre
 
eu sempre sei //
da sombra //
do cio das coisas //
e mais
 
eu sempre sou //
aquele azul //
o corpo nu //
e a paz
 
eu sempre saio //
invento um raio //
ilumino a noite //
e o cais

meu bem
 
meu bem, meu bem /
eu fico zen /
dançando sem /
você
 
meu bem, meu bem /
a noite vem /
não fico sem /
voar /

meu bem, meu bem /
você mantém /
sua pose, sem /
saber sambar

meu bem, meu bem /
você não tem /
suíngue nem /
a manha pra /

girar /

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Não é um suicídio

O jovem acordou

Da noite de insônia.

Escovou os dentes

Saiu de casa

Deitou-se na linha do trem

E pensou:

- Enquanto ele não vem, estou vivo!



Perdido

entre não ter asas
e não saber nadar


deixo na boca
a sugestão da tempestade

lúcido como uma navalha
só ponta

anoto
os haicais
da chuva

e recolho
o horizonte
do antebraço

estendido sobre o cais.

sábado, 3 de fevereiro de 2007




!vai dormir vagabundo!


# e entre um copo e outro de vinho ficava me girando pra saber mais.e caminhando um pouco além

nas explosões daquele vagalume-que-circula-nas-mãos redesenhava os lugares da cabeça. sabe aquela risada? não me controlava, era impossível: o perder-a-vista na praia, o vento no rosto e um assombro de idéias rápidas na mente. um dia desses ainda mergulho e fico num universo singular, paralelo a tudo, inclusive a mim. de triste só não ter força pra escrever quando me vem esse espírito-matéria. de esperança usar essa orgia-transcendente-imanente esse fruto-da-terra-dos-não-deuses como vetor pra minhas fogueiras. essa imensa gargalhada vai dando lugar a um sorriso lento (fosse assim perene). e dentro de mim, ainda o incêndio de avatares e coisas comuns a dança surreal de engolir a noite, apagando as palavras. diabo de não resistir ao silêncio e ao descanso mítico que esse pássaro me proporciona! desço ao sono, me entregando aos braços de dioniso e às pernas de gaia. me recolho ao útero-de-sempre, pra nascer pela manhã pronto pra sonhar de novo, sem o rosto sério e o relógio adiantado do des-trabalho mundano. assim vou, dormindo pra levar a vida: um leve rio de mim.

da matéria


Antes da queda: queda

Resgato enigmas em meu ventre.

Meus dentes escrevem o futuro.

A ciência não saberá o que digo.


Não sei o que digo e finjo

e uma parede de ilusões

desaba sobre mim.


A garganta esconde o grito

e meu sangue disfarça

a poeira de estrelas

de que sou feito.

A fêmea

Seu cio

Será céu?

Os anjos não sabem.

Brincam de luz.